A vitamina C foi associada a maior integridade estrutural do cérebro e a um funcionamento neuronal melhor em um estudo publicado no periódico PlosOne. A pesquisa analisou exames, incluindo ressonâncias magnéticas, e os níveis do nutriente no sangue de 2.044 idosos.
Os pesquisadores eram japoneses e observaram uma relação entre a concentração de vitamina C e características cerebrais mais preservadas. O desenho da pesquisa, porém, foi transversal: os dados representam um grupo em um momento específico e podem ajudar a formular hipóteses, mas não comprovam uma relação de causa e efeito.
Alimentação, não suplemento
Para o nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, parte dos participantes pode já ter um estilo de vida saudável e uma alimentação equilibrada, o que explicaria níveis adequados da vitamina na ocasião dos exames. “Possivelmente parte dos participantes já apresentava estilo de vida saudável, com um cardápio equilibrado, proporcionando bons níveis da vitamina no momento dos exames”, afirmou.
A vitamina C, ou ácido ascórbico, é hidrossolúvel. Ela se dissolve em água, é absorvida pelo organismo e o excedente é eliminado pela urina. O consumo excessivo está associado ao aumento do risco de cálculo renal.
Cukier afirma que os resultados não permitem recomendar suplementos para proteger o cérebro. A orientação é priorizar uma alimentação variada, com frutas, hortaliças e grãos, que também fornecem outras substâncias antioxidantes.
A nutricionista Lara Natacci, que estudou a relação entre alimentação e saúde mental em seu pós-doutorado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), explica que o cérebro tem atividade metabólica intensa. Esse processo contribui para a formação de radicais livres, moléculas que, em excesso, podem favorecer danos e comprometimento cognitivo.
Além da vitamina C, alimentos com carotenoides, polifenóis e vitaminas A e E fornecem compostos antioxidantes. Entre os exemplos estão cenoura, tomate, espinafre, uva, açaí, jabuticaba, maçã, café, chá-verde, gema de ovo, abóbora, azeite de oliva e nozes. Castanhas e frutos-do-mar são fontes de selênio e zinco.
A vitamina C também participa da produção de neurotransmissores, contribui para a integridade dos vasos sanguíneos e ajuda na síntese do colágeno. Ela melhora ainda o aproveitamento do ferro obtido de vegetais, o que pode contribuir para reduzir o risco de anemia.
O nutriente está presente em cítricos e em alimentos como acerola, caju, goiaba, morango, mamão, pimentão, couve, brócolis, tomate e salsinha. O consumo in natura ajuda a reduzir perdas provocadas pelo calor. Doses altas, por outro lado, podem desencadear efeitos pró-oxidantes e não significam aumento automático da imunidade.



