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Pesquisa mostra mistura entre cristianismo e crenças espirituais no Brasil

Levantamento do Iser e da Quaest aponta que 37% dos brasileiros acreditam em reencarnação e 68% creem em espíritos.

Pesquisa mostra mistura entre cristianismo e crenças espirituais no Brasil
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser) e da Quaest mostra que 37% dos brasileiros acreditam em reencarnação, enquanto 68% dizem crer em espíritos bons ou maus. Os percentuais aparecem em um país no qual católicos e evangélicos reúnem, juntos, 8 em cada 10 pessoas: 50% da população se declara católica e 29%, evangélica.

O levantamento foi feito com pessoas de 16 anos ou mais, em 412 municípios, ao longo de um período que foi de 14 de janeiro a 10 de fevereiro. Foram ouvidos 15 mil entrevistados, e a margem de erro geral é de um ponto percentual.

Os resultados indicam que a identidade cristã convive, para parte da população, com crenças e práticas associadas a outras tradições religiosas. Entre os cristãos, a aceitação da reencarnação chega a 4 em 10 católicos e a 2 em 10 evangélicos. Já a crença em espíritos alcança 68% nos dois grupos.

O pastor Pedro Barreto, da Comunidade Batista do Rio, afirma que a crença em entidades espirituais não é necessariamente incompatível com a doutrina cristã. “Você tem o Espírito Santo e tem os espíritos maus”, disse. Para ele, essas figuras poderiam ser chamadas de anjos e demônios. A reencarnação, porém, é rejeitada pelo pastor, que entende que cada pessoa morre uma vez e depois segue para o juízo.

A existência de céu ou paraíso é aceita por 8 em cada 10 brasileiros. A proporção chega a 92% entre evangélicos e a 64% entre pessoas que dizem não ter religião. Esse grupo corresponde a 14% da amostra e não equivale necessariamente a ateus ou agnósticos: 88% afirmam ter fé.

A pesquisa também mostra que 98% dos entrevistados acreditam em Deus, enquanto 73% dizem recorrer a versículos bíblicos como ensinamentos para a vida. O mesmo percentual, 73%, afirma já ter tido o pressentimento de que algo ruim aconteceria.

Práticas e superstições

O uso de folhas e ervas naturais para tratar a saúde é mencionado por 58% dos participantes. Entre costumes de virada de ano e superstições, 36% dizem vestir branco para atrair paz, 15% fazem simpatias para buscar sorte e 31% batem na madeira para evitar acontecimentos ruins.

O medo do mal-olhado aparece em 2 em cada 3 entrevistados. Além disso, 47% acreditam em feitiço. A pesquisa registra ainda que 2 em cada 3 brasileiros creem em uma figura do mal, descrita por nomes como demônio, diabo, inimigo ou besta-fera.

Espíritas e seguidores de religiões afro-brasileiras apresentam maior adesão a essas crenças e práticas. Para a antropóloga Lívia Reis, do Iser, os dados mostram que a religiosidade brasileira não se organiza de forma homogênea e pode reunir referências de diferentes tradições.

Distribuição das religiões

Entre os católicos, 31% se consideram praticantes e 19% dizem não praticar a religião. A presença católica é maior no Nordeste, com destaque para o Piauí, onde 73% professam essa fé. O grupo também tem maior participação entre brasileiros com 60 anos ou mais, faixa em que chega a 65%.

Os evangélicos estão mais concentrados no Norte, onde representam 4 em cada 10 pessoas. O Amazonas tem o maior percentual, com 45%. No Centro-Oeste, a proporção é de 34%. A religião também aparece com mais frequência entre os mais jovens e entre a população negra: 31% dos pretos e pardos são evangélicos, ante 26% dos brancos.

As Assembleias de Deus reúnem 32% dos fiéis evangélicos, enquanto 7 em cada 10 evangélicos são pentecostais. Os chamados desigrejados, que não se vinculam a um templo específico, representam 10%.

A pesquisa também registra situações em que a classificação religiosa não coincide com práticas e crenças individuais. Lívia Reis cita o caso de uma pessoa que se declarou católica praticante, frequentava uma Assembleia de Deus e acreditava em reencarnação.

A assessora de comunicação Johanna Sinclair, 44, é fiel de uma igreja batista em Campo Grande (MS) e se converteu ao evangelicalismo em 2008. Criada em um ambiente que reunia referências espíritas, católicas e da umbanda, ela afirma que ainda considera possível a reencarnação e ocasionalmente visita um centro espírita.

Já a professora de matemática Thaís dos Santos, 33, cresceu em uma família evangélica e frequenta, em São Paulo, o Ministério Apostólico Jesus para as Nações. Ela afirma que sua fé tem efeitos espirituais e sociais e considera o mundo espiritual real.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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