Domingo, 6 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,13 · Euro R$ 5,95 · Ibovespa 185.147 +0,00%
A economia explicada todos os dias
Brasil

Rastreadores de sono podem alimentar ansiedade e piorar o descanso

Especialistas afirmam que pontuações de aplicativos não medem diretamente o sono e podem criar um ciclo de preocupação.

Rastreadores de sono podem alimentar ansiedade e piorar o descanso

A busca por controlar cada detalhe do descanso pode produzir o efeito contrário e piorar o sono. Médicos relatam sinais de ortossônia, termo clínico usado para descrever a obsessão por alcançar o sono perfeito. A condição não é formalmente reconhecida no Reino Unido, mas aparece em pacientes que levam dados de aplicativos e relógios para consultas, convencidos de que têm algum distúrbio do sono.

A prática de tentar otimizar o descanso também é chamada de “sleepmaxxing”, ou maximização do sono. O problema, segundo especialistas, é que os dispositivos transformam uma experiência variável em uma meta numérica.

O limite das pontuações

O Fitbit Classic foi o primeiro rastreador comercial de atividades físicas a incorporar análise do sono, em 2009. Depois, empresas como Garmin, Whoop e Apple passaram a oferecer o recurso em dispositivos de pulso. Anéis inteligentes, como Oura, Ultrahuman e RingConn, também apresentam relatórios sobre períodos acordado, sono leve, sono profundo e REM, além de uma pontuação geral.

Alanna Hare, consultora de medicina do sono do Royal Brompton Hospital, em Londres, afirma que não existe uma pontuação de sono reconhecida pela ciência. Para ela, o indicador foi criado pelos fabricantes. Hare diz ter observado mais pacientes levando dados de aplicativos para consultas e fazendo perguntas que podem contribuir para suas dificuldades para dormir.

Uma ação judicial proposta em San Francisco contra a Oura afirma que os anéis da empresa não conseguem medir com precisão a qualidade e os estágios do sono. A alegação é que os dispositivos dependem de estimativas produzidas por inteligência artificial. A Oura declarou que mantém sua posição sobre suas afirmações científicas, de pesquisa e de precisão e que busca comunicar o que mede, o que estima e como os usuários devem interpretar as informações.

Um estudo da Universidade de Oxford mostrou que os efeitos dos monitores podem aparecer mesmo quando as pontuações não correspondem ao sono real. Participantes receberam notas escolhidas aleatoriamente e, no dia seguinte, avaliaram humor, fadiga e alerta antes de testes de concentração e tempo de reação. Os que foram informados de que haviam dormido mal relataram mais cansaço e menor alerta mental.

Jess Hill, profissional de recursos humanos de Londres, passou três anos usando um relógio Garmin como referência para saber se havia descansado bem. Ela percebeu que o dispositivo nem sempre correspondia à sua experiência: em uma noite na qual ficou acordada da 1h às 5h, o relógio registrou uma ótima noite de sono.

Neil Stanley, especialista em sono, afirma que atribuir notas ao descanso cria uma meta e alimenta um ciclo de preocupação com a qualidade ou a quantidade dormida. Segundo ele, os rastreadores medem principalmente movimentos e, para medir o sono, seria necessário acompanhar a atividade cerebral.

Para favorecer o descanso, as recomendações são manter o quarto fresco, escuro e silencioso, sem exigir condições exatas, receber luz brilhante pela manhã, praticar exercícios leves e seguir uma dieta saudável, ao estilo mediterrâneo, com variedade de legumes. A orientação central é manter a simplicidade: não é necessário acrescentar outras estratégias.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.