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Novo livro de Xico Sá revisita a investigação sobre o paradeiro de PC Farias

Em trecho de O Tesoureiro, jornalista recorda a cobertura do desaparecimento do ex-tesoureiro de Fernando Collor em 1993.

Novo livro de Xico Sá revisita a investigação sobre o paradeiro de PC Farias
Foto: Folhapress

A investigação sobre o paradeiro de Paulo César Farias ocupava as noites e os contatos profissionais de Xico Sá em junho de 1993. Em trecho de O Tesoureiro, livro que será publicado pela Todavia, o jornalista relata como acompanhou o desaparecimento do ex-tesoureiro de Fernando Collor e recebeu a informação de que ele estava em Londres.

Farias havia desaparecido depois da decretação de sua prisão. Meses depois, foi preso na Tailândia e condenado pelo STF no ano seguinte. Em 1996, acabou encontrado morto ao lado da namorada, Suzana Marcolino. O crime permanece sem esclarecimento.

A rede de fontes durante a cobertura

No relato, Xico Sá descreve as ligações feitas durante a madrugada para uma fonte conhecida como Brigitte Montfort. O nome era um codinome inspirado na personagem dos livrinhos de bolso ZZ7, publicados pela Editora Monterrey entre 1965 e 1992. A fonte trabalhava a partir da boate Coquetel Drink's, em Maceió, onde o jornalista a conheceu.

O repórter também menciona o gato Bulgakov e a cobrança constante de familiares, fontes e conhecidos sobre o paradeiro de Farias. A própria mãe, Maria do Socorro, perguntava pelo filho ao telefone, de Juazeiro do Norte para a bancada de política da Folha de S.Paulo.

A procura ganhou contornos populares. O cartunista Angeli retratou o desaparecimento em charges que associavam a política brasileira ao personagem Wally. O caso era acompanhado como uma novela e tinha mais audiência que o coronel José Inocêncio, de Renascer, exibida pela TV Globo.

O tesoureiro e a política brasileira

Farias era tratado por aliados como dom Pablo e, em Maceió, também era conhecido como Paulinho Gasolina. No livro, Xico Sá o apresenta como responsável pela ascensão e pela queda de Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito por voto popular depois da ditadura no Brasil e o primeiro a perder o mandato após um processo de impeachment.

A Polícia Federal informou que o desvio de recursos atribuído a Farias alcançava “Pelo menos US$ 1 bilhão”. O dinheiro teria sido distribuído por contas bancárias no exterior, paraísos fiscais e operadores estrangeiros. A Fiat Elba comprada com recursos de contas de Farias para integrantes da equipe de Collor ficou associada à primeira prova documentada do dinheiro sujo do chamado Collorgate.

Antes da revelação do carro pela CPI do Congresso, Xico Sá recebeu na Folha uma carta anônima de um homem que se identificava como mestre de obras. Ele relatava que Farias pagava a reforma de um apartamento de Collor no bairro do Farol, em Maceió. O jornalista percorreu o caminho indicado e confirmou a ligação entre o tesoureiro e a obra.

A reportagem antes da internet

O fragmento também recorda o trabalho jornalístico nos anos 1990. A Folha chegou a vender mais de 1 milhão de exemplares aos domingos, enquanto a internet comercial só chegaria ao país em 1995. As informações eram buscadas nas ruas, em gabinetes, com fontes e por meio de documentos obtidos em papel.

Xico Sá situa sua busca no período posterior à ditadura e na campanha presidencial de 1989. Segundo o relato, o temor da eleição de Leonel Brizola ou Lula da Silva levou empresários a entregar dólares ao comitê de Collor, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), em um cenário de inflação superior a 1000% ao ano.

O jornalista afirma que escreve o livro em 2026 e contrasta aquele período com o acesso atual a informações em buscadores, no ChatGPT e em acervos online de tribunais. A narrativa termina com o avião de Farias, conhecido como Morcego Negro, iniciando uma nova etapa da história.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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