A agenda econômica do Brics passou a incluir a cooperação internacional em inteligência artificial, além da integração dos sistemas de pagamentos dos países do grupo. A Declaração de Nova Déli, aprovada neste sábado (12), defende ampliar o acesso aos recursos de IA com segurança, inclusão, confiabilidade e eficiência energética.
Para os líderes, a tecnologia tem "imenso potencial para estimular o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável para todos". O documento também sustenta a cooperação entre os países para desenvolver sistemas de inteligência artificial com esses objetivos.
Pagamentos e financiamento
Os líderes reconheceram o trabalho da força-tarefa de pagamentos do Brics para conectar canais de pagamentos e sistemas de mensagens financeiras dos integrantes. A intenção é fazer com que as transações entre países sejam mais rápidas, baratas, acessíveis, eficientes, transparentes e seguras.
A declaração registra ainda as discussões para ampliar o uso de moedas locais na liquidação de operações comerciais e investimentos. A adoção, porém, deverá considerar as prioridades de cada país, sem uma solução única para o bloco.
O NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), conhecido como banco do Brics, foi orientado a ampliar sua capacidade de mobilizar recursos, diversificar fontes de financiamento e elevar a oferta de crédito em moedas locais para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Os países também apoiaram a expansão da base de membros da instituição e mantiveram as discussões sobre uma plataforma de investimentos.
A proposta de uma moeda comum não foi incluída como decisão da cúpula. O grupo escolheu ampliar gradualmente as alternativas às moedas e estruturas financeiras dominadas pelas economias desenvolvidas, sem romper com o sistema financeiro internacional.
Comércio e instituições globais
A declaração condena tarifas, barreiras comerciais unilaterais e sanções econômicas que não tenham autorização do Conselho de Segurança da ONU. O documento também critica medidas protecionistas justificadas por razões ambientais.
Os líderes afirmam que tarifas e restrições comerciais aumentam a incerteza econômica mundial e atingem de forma desproporcional os países em desenvolvimento. Também manifestaram preocupação com barreiras não tarifárias que, na avaliação dos países, não seguem as regras da OMC e podem ameaçar as cadeias globais de suprimentos.
Aprovado por unanimidade, o texto pede mudanças na governança do FMI, do Banco Mundial e da OMC para aumentar a participação dos países em desenvolvimento nas instituições que estabelecem as regras da economia global. A cúpula marcou os 20 anos do Brics.



