SÃO PAULO — Computador e celular de um ex-executivo de vendas do iFood foram apreendidos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em uma investigação sobre possível uso indevido de informações sigilosas. Os equipamentos foram encaminhados para perícia, segundo o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP, em Copacabana, na zona sul do Rio.
A operação foi realizada na quarta-feira (16), a partir de um mandado expedido pela Justiça em janeiro deste ano. A denúncia recebida pela polícia indica que o profissional teria tido acesso a dados sensíveis de clientes e restaurantes parceiros do aplicativo.
Antes de deixar o iFood, o funcionário teria habilitado o e-mail pessoal no computador corporativo e baixado arquivos com condições comerciais negociadas com clientes, volume de vendas, pedidos e estratégias. As informações também incluiriam dados reservados de restaurantes parceiros.
Mudança para concorrente
O profissional pediu demissão em abril do ano passado e passou a trabalhar na 99Food, concorrente chinesa que voltou a atuar no Brasil em 2025 e iniciava operações no mercado de delivery do Rio de Janeiro. A 99Food informou que a pessoa investigada não faz parte de seu quadro de colaboradores.
A empresa declarou que trata “relatos como este com seriedade e reforça que não tolera qualquer conduta que envolva o uso de dados obtidos por meios ilegais”. Também afirmou manter políticas de treinamento, monitoramento e responsabilização.
O delegado disse que o ex-funcionário afirmou informalmente estar trabalhando como autônomo. A polícia ainda investiga se os dados foram utilizados e o que poderia ser feito com eles. O suspeito pode responder por furto qualificado, com pena prevista de oito a 12 anos de prisão.
Medidas judiciais
O iFood comunicou que apresentou a denúncia para identificar como os dados confidenciais teriam sido usados e com quem foram compartilhados. A empresa afirmou haver indícios de que o ex-funcionário tenha trabalhado em uma plataforma concorrente e disse estar adotando medidas judiciais para proteger seus dados, parceiros e o ecossistema de delivery.
A companhia também informou que existe um inquérito semelhante em São Paulo. Em outro processo, movido contra uma concorrente, pede indenização de R$ 1 milhão por concorrência desleal, com base nos parágrafos 9 e 12 do artigo 195 da LPI (Lei de Propriedade Industrial). O iFood afirmou ainda haver assédio contra funcionários nas redes sociais.
O CEO do iFood, Diego Barreto, declarou que a empresa já recorreu à quebra de sigilo de uma plataforma online nos Estados Unidos para chegar a uma das investigações de espionagem industrial.


