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China amplia aposta estatal em inteligência artificial para transformar a economia

Pequim combina dinheiro público, robótica e chips nacionais para disputar com os Estados Unidos a liderança em inteligência artificial.

China amplia aposta estatal em inteligência artificial para transformar a economia
Foto: AFP

A China colocou a inteligência artificial no centro de sua estratégia econômica, com investimentos estatais, incentivo à robótica e planos para ampliar o uso da tecnologia em fábricas, hospitais e escolas. O presidente Xi Jinping defende que o país seja não apenas um grande consumidor, mas também o principal fabricante de sistemas e equipamentos baseados em IA.

Em fevereiro, Xi visitou um parque tecnológico nos arredores de Pequim, onde centenas de empresas trabalham no desenvolvimento de chips avançados e modelos de inteligência artificial. O governo municipal oferece dezenas de milhões de dólares em capacidade computacional gratuita. Entre os projetos apresentados estavam chips para equipar mísseis nucleares e implantes cerebrais voltados a ajudar pacientes paralisados a falar.

Durante a visita, Xi afirmou que a capacidade de concentrar recursos é uma vantagem chinesa. “Devemos aproveitar plenamente a vantagem de nossa nação de concentrar recursos para realizar grandes tarefas”, disse a empresários, pesquisadores e autoridades.

Recursos públicos e metas de adoção

Economistas estimam que fundos liderados pelo Estado direcionaram mais de US$ 184 bilhões (R$ 956,4 bilhões) para empresas de IA entre 2000 e 2023. No ano passado, o governo e bancos estatais prometeram centenas de bilhões de dólares adicionais.

O volume privado chinês é menor que o dos Estados Unidos. Fontes privadas americanas destinaram US$ 285 bilhões (R$ 1,47 trilhão) à tecnologia somente em 2025. A estratégia de Pequim também difere do foco predominante em Washington e no Vale do Silício, onde parte do setor busca a chamada AGI, uma inteligência artificial ainda teórica com capacidade de pensar e aprender no nível humano ou acima dele.

As autoridades chinesas concentram-se em aplicações mais imediatas. A redução e o envelhecimento acelerado da população aumentam a demanda por robôs capazes de substituir trabalhadores que se aposentam. Em áreas rurais pobres, avatares digitais de médicos renomados podem ampliar o acesso a consultas.

O governo estabeleceu a meta de que ferramentas e agentes de IA estejam presentes em 90% da sociedade chinesa até 2030. Não foi explicado como esse percentual será calculado. Xi também apoiou modelos de código aberto, estratégia que ajudou empresas chinesas a conquistar usuários em outros países enquanto companhias americanas lançaram sistemas fechados.

Controle estatal e riscos

A expansão da IA ocorre junto de regras para limitar seus riscos políticos e sociais. Reguladores definiram restrições ao conteúdo produzido por chatbots e proibiram bots de companhia destinados a crianças. Tribunais alertaram empresas contra a substituição automática de trabalhadores, e autoridades impediram alguns empresários do setor de deixar o país.

A tecnologia, porém, também pode criar desafios ao controle do Partido Comunista sobre a informação. Modelos estrangeiros avançados, como o Claude Mythos, podem facilitar ataques cibernéticos complexos contra infraestruturas críticas chinesas. Xi aposta que os mecanismos de controle serão suficientes para conter essas ameaças.

A política atual começou a ganhar forma em junho de 2014, quando Xi discursou para as Academias Chinesas de Engenharia e de Ciências. Ele havia lido relatórios sobre robôs capazes de transformar a economia global e concluiu que a China deveria buscar a liderança na fabricação desses equipamentos.

A partir daí, fabricantes levaram sistemas de IA para fábricas e armazéns, enquanto empresas de vigilância avançaram no reconhecimento facial e de voz. Em 2018, a SenseTime, de Pequim, chegou a ser a startup de IA mais valiosa do mundo.

DeepSeek e a corrida tecnológica

A China foi surpreendida pelo lançamento do ChatGPT, em 2022, porque seus pesquisadores estavam menos concentrados em grandes modelos de linguagem. A situação mudou com a DeepSeek, startup que mostrou que empresas chinesas poderiam competir nessa área com o Vale do Silício.

Em fevereiro de 2025, Xi reuniu executivos chineses de tecnologia, entre eles o fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng. Na ocasião, pediu que as empresas privadas demonstrassem suas capacidades e servissem ao país.

A política combina subsídios, incentivos fiscais e financiamento de pesquisa, fórmula também usada na expansão chinesa de veículos elétricos e painéis solares. Na IA, entretanto, a liderança depende mais diretamente de avanços tecnológicos. A escassez de profissionais especializados e o acesso limitado aos chips mais avançados estão entre os obstáculos.

O governo investiu mais de US$ 150 bilhões (R$ 778 bilhões) em um programa de uma década para desenvolver chips nacionais de ponta, ainda sem grandes resultados. Também busca formar mais profissionais na área científica. Liang Wenfeng afirmou que a DeepSeek precisa de chips avançados, não de mais dinheiro.

Empresas e robôs em expansão

No fim de 2025, a China tinha mais de 6.000 empresas de IA, enquanto o valor de sua indústria central de inteligência artificial chegava a US$ 171 bilhões (R$ 887 bilhões), conforme estatísticas oficiais. Modelos chineses passaram a aparecer com mais frequência que os americanos entre os sistemas de IA mais populares, segundo a OpenRouter. Empresas ocidentais, como a Airbnb, também começaram a adotá-los.

A robótica é um dos principais resultados da estratégia. A China tem mais de 2 milhões de robôs em suas fábricas, número superior ao total do restante do mundo. Pesquisadores chineses afirmam que essas máquinas podem ser um caminho mais promissor para uma inteligência de uso geral do que os grandes modelos de linguagem, porque aprendem pela interação com o ambiente físico.

O avanço preocupa autoridades em Washington. Um grupo consultivo do Congresso americano alertou que a adoção chinesa de IA em robôs e outras aplicações pode gerar grandes volumes de dados para aperfeiçoar os modelos do país. Em julho, os Estados Unidos propuseram restringir a importação de robôs humanoides, medida classificada por Pequim como discriminatória.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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