A dívida bruta do Brasil chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, após subir 0,3 ponto percentual no mês. O nível é o maior em cinco anos, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30).
O indicador inclui os débitos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e das administrações estaduais e municipais. A relação com o PIB é usada para avaliar o peso do endividamento em comparação com o tamanho da economia.
Em março de 2021, a dívida bruta estava em 85,1% do PIB, em um período de aumento dos gastos públicos durante a pandemia de Covid-19. Em dezembro de 2022, o indicador era de 71,68% do PIB. Desde então, no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a alta supera 11 pontos percentuais.
Neste ano, o avanço acumulado é de 4,2 pontos percentuais. O Banco Central atribui a maior parte do crescimento aos gastos com juros. A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano.
Cada ponto percentual de redução da Selic mantida por 12 meses diminui a dívida bruta em R$ 65,8 bilhões, ou 0,49 ponto percentual do PIB, conforme o Banco Central.
Projeções para a dívida
Em relatório de projeções fiscais divulgado em junho, o Tesouro Nacional estimou que a dívida bruta atingirá o pico de 87,9% do PIB em 2029. A previsão é de queda posterior, até 83,1% em 2036. As projeções do mercado financeiro são mais pessimistas e não apontam estabilização do endividamento nos próximos anos.
A dívida líquida, que desconta os ativos do governo, subiu 0,1 ponto percentual em agosto e alcançou 69,3% do PIB, com saldo de R$ 9,2 trilhões. No acumulado do ano, a alta foi de 4 pontos percentuais.
O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto. O resultado inclui o governo central — Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social —, estados, municípios e empresas estatais, exceto Petrobras e bancos públicos.
O governo central registrou déficit de R$ 14,7 bilhões. Estados e municípios tiveram superávit de R$ 2,7 bilhões, enquanto as empresas estatais apresentaram resultado positivo de R$ 2 bilhões.



