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Economia

Emprego atinge recordes antes de 2026, mas informalidade segue como desafio

Desemprego caiu a 5,3%, enquanto trabalho por aplicativos, pejotização e qualificação estão entre os impasses para o próximo governo.

Emprego atinge recordes antes de 2026, mas informalidade segue como desafio
Foto: Allison Sales/Folhapress

O Brasil chega às eleições de 2026 com desemprego em nível historicamente baixo e recordes de ocupação, emprego formal e renda. Ao mesmo tempo, a informalidade permanece próxima de 40% da mão de obra, enquanto o trabalho por aplicativos, a pejotização, a inteligência artificial e o descompasso entre formação e demanda empresarial pressionam o próximo governo.

Dados da Pnad Contínua, do IBGE, mostram que a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre terminado em julho, o menor nível para esse período desde o início da série histórica, em 2012. No mesmo intervalo de 2022, o índice era de 9,1%.

O nível de ocupação chegou a 58,9% em 2026, recorde para o trimestre até julho. O número de empregados com carteira assinada no setor privado alcançou 39,4 milhões, também o maior resultado da série.

Informalidade e trabalho por aplicativos

A taxa de informalidade foi de 37,5% no trimestre até julho. O indicador considera trabalhadores sem carteira assinada ou sem CNPJ e já chegou a superar 40% na série histórica.

O trabalho por aplicativos está entre as atividades com maior informalidade. Em 2025, cerca de 2 milhões de pessoas tinham essas plataformas como meio de trabalho principal ou secundário, segundo o módulo anual da Pnad Contínua divulgado pelo IBGE.

Entre os trabalhadores que usavam aplicativos na atividade principal, a flexibilidade foi o motivo mais citado, com 26,8%. A falta de outro emprego apareceu em seguida, com 24,6%, e a possibilidade de obter rendimento maior do que em outras ocupações disponíveis foi apontada por 20,8%.

Para a economista Janaína Feijó, do FGV Ibre, a melhora nos indicadores de quantidade convive com problemas ligados à desaceleração econômica e aos juros altos. Ela também considera que a reforma trabalhista de 2017 não cobriu adequadamente as novas modalidades de trabalho. “Uma parte desses trabalhadores está totalmente descoberta”, afirmou.

O motoboy Felipe Zuppo, 38, deixou um emprego com carteira para trabalhar por aplicativos. Em 2023, participou de um grupo criado no governo Lula para discutir a regulamentação da profissão, mas a iniciativa não chegou a um consenso.

Zuppo disse que não deseja ser contratado pelo regime da CLT, mas defende a existência de direitos trabalhistas para quem atua nas plataformas. Ele também afirmou que a aprovação de uma lei sem atender às demandas da categoria não seria suficiente.

Formação, Previdência e novas ocupações

Janaína Feijó também apontou problemas no modelo do MEI, criado para formalizar pequenos negócios e incluir trabalhadores no INSS. Segundo a economista, o sistema recebe pessoas que não são contratadas pela CLT com uma contribuição de 5% do salário mínimo, o que pode pressionar as contas previdenciárias.

Outro desafio é a distância entre a formação dos trabalhadores e as necessidades das empresas. Para a economista, a desigualdade também pesa, porque moradores de comunidades têm menos acesso a redes de contato profissionais. A inteligência artificial pode ampliar a pressão sobre vagas de entrada, enquanto a maior longevidade afeta o financiamento da Previdência.

Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, avalia que o mercado de trabalho se tornou mais resistente a choques, mesmo com a desaceleração econômica e os juros altos. Entre as possíveis explicações estão a flexibilização trazida pela reforma trabalhista de 2017 e o surgimento de ocupações associadas a aplicativos.

A expansão dessas atividades ajuda a reduzir o desemprego e a gerar renda, mas não resolve a absorção de trabalhadores mais qualificados. Sartori citou como exemplo profissionais formados em engenharia que passaram a dirigir para aplicativos.

Nicole Guedes de Andrade Suvires, 22, trabalha como atendente em uma rede de pet shop no ABC paulista, embora procurasse uma vaga em sua área de formação. Antes, passou dois anos como PJ. Ela disse que valorizava a flexibilidade de horário, mas agora trabalha em uma escala 6x1 e tem benefícios.

Propostas dos candidatos

Lula (PT) propõe ampliar a proteção trabalhista, manter a política de valorização do salário mínimo, combater a pejotização e regulamentar o trabalho em plataformas. O plano também prevê direitos, remuneração, transparência algorítmica e cobertura previdenciária para esses trabalhadores, além do fim da escala 6x1, jornada de 40 horas sem redução salarial, requalificação e mudanças no financiamento da Previdência.

Flávio Bolsonaro (PL) defende a redução gradual do custo do trabalho, a prioridade para beneficiários do Bolsa Família em vagas e cursos de qualificação e contratos mais baratos para jovens de 18 a 24 anos e desempregados a partir de 50 anos.

Romeu Zema (Novo) propõe um regime alternativo à CLT, com negociação de jornada, remuneração e férias, possibilidade de jornada diária acima de oito horas, limite de 44 semanais e menos encargos.

Ronaldo Caiado (PSD) cita ensino técnico, requalificação e currículos voltados a IA, automação, dados e cibersegurança. Augusto Cury (Avante) propõe o empreendedorismo como resposta ao desemprego provocado pela IA e a transformação do Bolsa Família em porta de entrada no mercado. Renan Santos (Missão) não apresenta propostas específicas para o trabalho, mas defende liberdade para o crescimento de negócios.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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