O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), para o intervalo entre 3,75% e 4%. A decisão foi unânime, com 12 votos a 0, e representa o primeiro aumento desde julho de 2023.
O Fed afirmou que a economia americana continua em expansão sólida. Segundo o comunicado, os gastos das famílias permanecem resilientes apesar das incertezas geopolíticas, enquanto a produtividade cresce, os investimentos de capital seguem robustos e o mercado de trabalho permanece estável. A criação de empregos acompanha o avanço da força de trabalho.
A autoridade monetária também reconheceu que a inflação continua elevada. Para o banco central, a alta dos juros deve contribuir para acelerar a volta da inflação à meta de 2%.
No Brasil, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75%, na reunião desta quarta-feira (16). Se isso ocorrer, a diferença entre as taxas básicas de Brasil e Estados Unidos será de 9,75 pontos percentuais.
Inflação e mercado de trabalho
Dados recentes ajudaram a sustentar a avaliação positiva do Fed sobre o emprego. Em agosto, foram criadas 162 mil vagas fora do setor agrícola, conforme o payroll, relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. O resultado superou a previsão de 55 mil postos feita por analistas.
A decisão ocorreu menos de uma semana depois de o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho registrar, na sexta-feira (11), a maior alta em quatro meses. A inflação acumulada em agosto ficou em 3,4%. Os combustíveis tiveram peso relevante: a gasolina respondeu por um terço da alta mensal de 0,4%.
As apostas de que os juros subiriam para o intervalo entre 3,75% e 4% passaram de 63%, no dia seguinte à reunião de julho, para 86%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Antes da decisão, a taxa estava entre 3,5% e 3,75%. A expectativa de alta já havia elevado o rendimento dos Treasuries e fortalecido o dólar.
Pressão política e títulos públicos
A elevação ocorreu em meio às críticas de Donald Trump ao Fed. No domingo (13), o presidente afirmou: “Os EUA deveriam pagar a menor taxa de juros do mundo”. Em publicação feita duas semanas antes na Truth Social, ele também exigiu a redução dos juros e ameaçou interromper o comércio com países que mantêm déficit com os Estados Unidos.
Em 28 de agosto, Kevin Warsh, presidente do Fed, havia dito em Jackson Hole, no estado de Wyoming, que a inflação americana era “preocupante”. Na ocasião, sinalizou que o banco central poderia elevar a taxa caso não houvesse avanço rápido no controle dos preços.
Também há atrito entre o Tesouro americano e o Fed. Em 19 de agosto, o Tesouro anunciou que ampliaria as recompras de títulos públicos de prazo mais longo: o programa passaria de US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões) para pelo menos US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões). As operações começaram em 9 de setembro e ampliaram um programa criado para facilitar a negociação de títulos americanos mais antigos.
Quando os preços dos títulos caem, seus rendimentos sobem. Esse movimento elevou de forma mais ampla as taxas que influenciam desde títulos corporativos até hipotecas, poucos meses antes das eleições de meio de mandato de novembro.
Petróleo e tensão geopolítica
Nas últimas semanas, o conflito no Oriente Médio voltou a escalar entre Washington e Teerã, com ofensivas contra refinarias e embarcações ligadas aos dois lados. Os confrontos aumentaram o receio de interrupções no fluxo global de petróleo e pressionaram as cotações.
Nesta quarta-feira (16), o barril de Brent, referência mundial, chegou a US$ 106,83 (R$ 550,63) por volta das 8h no horário de Brasília.



