SÃO PAULO — O Ministério dos Transportes apresentou nesta terça-feira (15) a empresas e bancos sete trechos ferroviários de curta extensão, chamados de shortlines. Os projetos atravessam as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste e podem ser usados para transporte de cargas e passageiros.
A previsão é levar pelo menos dois trechos a leilão até o fim do ano, pelo modelo de autorização. O governo ainda não definiu quais projetos serão escolhidos. Os vencedores terão até dois anos para apresentar os projetos das ferrovias.
A autorização ferroviária foi criada pelo Marco Legal das Ferrovias, de 2021. O modelo permite que empresas privadas construam e operem ferrovias por conta própria, conforme as condições previstas na legislação, em um processo mais simples que o de concessão.
Trechos incluídos
- Cruz Alta–Santo Ângelo (RS): 108 km, com potencial para transporte de soja, milho e fertilizantes.
- Santo Ângelo–Santa Rosa (RS): 65 km, para integração de cooperativas e volumes.
- Roncador Novo–Jardim Ingá (GO): 245 km, com potencial para porto seco.
- General Carneiro–Miguel Burnier (MG): 92 km, voltado a minério e siderurgia e com vocação para turismo.
- Aguaí–Bauxita (SP e MG): 75,4 km, com integração à rede ferroviária paulista.
- Campina Grande–Cabedelo (PB): 163,2 km, como corredor logístico multimodal com integração urbana.
- Brasília–Luziânia (DF e GO): 60,5 km, destinado ao transporte regional de passageiros.
O ministro dos Transportes, George Santoro, disse que o vencedor terá dois anos para apresentar um projeto, que poderá ou não ser considerado viável. Se houver necessidade de recursos públicos, o governo poderá reabrir o processo e levá-lo ao mercado.
Corredor Minas-Rio
O ministério já marcou para 17 de dezembro o leilão do corredor Minas-Rio, também por autorização. O trecho tem 733 quilômetros e é operado atualmente pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O projeto será dividido em dois lotes: Iguatema (MG)–Barra Mansa (RJ), com um ramal entre Varginha (MG) e Lavras (MG), e Barra Mansa–Angra dos Reis (RJ).
A concessionária deverá manter, recuperar e modernizar a infraestrutura e terá até dois anos para apresentar um plano de recapacitação. Santoro afirmou que CSN e MRS estudam o projeto em conjunto.
Dos oito projetos ferroviários previstos para 2026, apenas o Corredor Minas-Rio tem leilão marcado. O governo também prevê publicar neste ano os editais do Anel Ferroviário Sudeste (EF-118) e da Malha Oeste, mas os leilões devem ocorrer no ano que vem.


