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Dúvidas sobre os EUA levam investidores a buscar dólar e ouro alternativos

Risco fiscal, sanções e incertezas políticas estimulam países e investidores a diversificar ativos fora dos Estados Unidos.

Dúvidas sobre os EUA levam investidores a buscar dólar e ouro alternativos
Foto: Pedro Affonso/Folhapress

Investidores globais começam a procurar alternativas aos ativos dos Estados Unidos, em um movimento associado às preocupações com a dívida americana, ao uso de sanções como instrumento de política externa e às incertezas em torno do Estado de Direito no país.

A dívida dos EUA é estimada em US$ 40 trilhões (R$ 205,7 trilhões). Apesar de empresas e governos estrangeiros anunciarem investimentos no país, parte do capital passou a buscar outros destinos. Eswar Prasad, ex-chefe da divisão da China do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que fatores geopolíticos e o uso do dólar em sanções estão levando bancos centrais e investidores oficiais a diversificar suas reservas.

Os Estados Unidos ainda atraem recursos privados, especialmente para os mercados financeiros, as ações e a infraestrutura de inteligência artificial. Também não há uma moeda rival em condições de substituir o dólar no curto prazo.

Em depoimento ao Congresso na terça-feira (15), o secretário do Tesouro, Scott Bessent, defendeu a credibilidade do sistema financeiro americano. Segundo ele, os leilões de títulos continuam funcionando e o dólar mantém força por sua presença nas transações globais. Bessent também disse que a liderança americana não deveria temer a concorrência.

Títulos e reservas internacionais

As preocupações aparecem com mais clareza no mercado de títulos. O rendimento do Treasury de dez anos passou de 5% nesta semana, no maior nível desde 2007. A alta ocorre enquanto investidores exigem retornos maiores para comprar papéis do Tesouro americano, diante do avanço da dívida nacional.

O fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, informou neste mês que pretende reduzir sua exposição aos títulos americanos e procurar retornos mais elevados em outros mercados.

A participação do dólar nas reservas dos bancos centrais também diminuiu na última década. A moeda respondia por 56% dessas reservas no fim de 2025, abaixo dos 64% registrados em 2015. Ainda assim, quase 90% das transações cambiais globais são feitas em dólar.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, afirmou no ano passado que a formulação instável das políticas americanas poderia abrir espaço para um momento de maior presença do euro. O euro e o renminbi chinês, porém, não são apontados como substitutos imediatos do dólar.

Moedas digitais e ouro

O avanço das moedas digitais de bancos centrais, das stablecoins e das criptomoedas criou novas possibilidades para transações que não dependam integralmente do sistema financeiro americano.

A China lidera o desenvolvimento da plataforma mBridge, voltada a pagamentos internacionais com Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. O sistema busca permitir transferências mais rápidas e com taxas menores que as cobradas em operações bancárias tradicionais.

Rússia e Índia também disseram na semana passada que estudam um mecanismo para usar moedas digitais de bancos centrais na liquidação do comércio entre os dois países. A proposta poderia ampliar as transações bilaterais e reduzir a dependência de instituições financeiras ocidentais sujeitas a sanções americanas.

Outra resposta à incerteza é o aumento da procura por ouro. Em 2025, as reservas internacionais mundiais em ouro superaram as reservas oficiais estrangeiras mantidas em títulos do Tesouro americano. Neste ano, o metal ultrapassou US$ 5.000 (R$ 25,6 mil) por onça troy pela primeira vez, enquanto bancos centrais elevaram suas compras.

Alguns países passaram a querer manter o ouro mais perto de seus territórios. Com o aumento das tensões geopolíticas e as ameaças de tarifas contra aliados europeus, governos transferiram barras que estavam guardadas em cofres do Fed (Federal Reserve) de Nova York.

Impacto sobre empresas

A cautela também alcança empresas americanas que atuam no exterior. Daniel Tannebaum, ex-integrante do OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro americano) e ex-coordenador de compliance do OFAC no Fed de Nova York, disse que tarifas e controles de exportação tornaram empresas e países europeus mais cuidadosos na adoção de tecnologia americana em setores sensíveis, como inteligência artificial.

A preocupação é que uma infraestrutura tecnológica dependente dos Estados Unidos possa ser bloqueada ou desativada por Washington em meio a disputas internacionais, como ocorreu em conflitos envolvendo China e Rússia.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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