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Investigação liga cúpula do PCC a negócios no transporte público de São Paulo

Polícia Civil aponta que Antônio José Muller Júnior, o Granada, manteria influência sobre empresas de ônibus por meio da esposa, Carla Muller.

Investigação liga cúpula do PCC a negócios no transporte público de São Paulo
Foto: Folhapress

A investigação sobre empresas de ônibus do transporte público de São Paulo identificou possíveis conexões com Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada, integrante da Sintonia Final, a alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele está preso na Penitenciária Federal de Brasília, de segurança máxima.

A Polícia Civil afirma que Granada daria ordens a sócios de empresas do setor por meio da esposa, Carla de Paula Muller, presa na semana passada. Segundo os documentos do inquérito, ela teria recebido dinheiro de José Daniel Satilite, o Alemão, sócio de uma empresa que operava em Cubatão (SP), além de participar de negociações para a compra de veículos.

Comprovantes bancários e mensagens apontam que Satilite teria repassado ao menos R$ 153 mil a Carla. A polícia também investiga a compra da Translider, de Cubatão, e suspeita que Satilite não tivesse recursos para adquirir a empresa, cujo capital social declarado era de R$ 12 milhões. Ele também teria comprado uma refinaria na Vila Prudente, na zona leste, por R$ 40 milhões.

Relações com empresas de ônibus

Uma gravação enviada por Carla a Satilite em janeiro de 2020 é apontada como indício de que ela repassava informações sobre os negócios a Granada. No áudio, ela relata que funcionários interromperam uma conversa durante uma visita porque entenderam que o assunto era código. Para a polícia, a descrição corresponde à Translider.

No celular de Satilite, os investigadores encontraram uma mensagem em que ele se descreve como “laranja”, pessoa que empresta o nome para o registro de uma empresa. Ele também cita a antiga Cooperlíder, atual A2 Transportes, que opera linhas municipais nos bairros de Jabaquara, Campo Grande, Cidade Ademar e Pedreira, na zona sul da capital paulista.

A A2 tem Paulo Sirqueira Korek Farias como proprietário. Korek, que também foi preso, repassou a Translider a Satilite e a outro sócio em 2017. A polícia suspeita que a transação tenha sido fictícia e afirma que um funcionário de Korek fazia pagamentos mensais de R$ 10 mil a Satilite.

A defesa de Korek nega haver provas contra ele. O advogado Roberto Vasco afirmou: “Não existe imputação feita a ele.”

Carla também aparece nas negociações envolvendo a A2 Transportes e a venda de ônibus. De acordo com a polícia, embora os veículos pertencessem à Translider, os valores da venda foram depositados na conta da A2.

A investigação ainda encontrou conversas que indicariam que Carla, Satilite e um advogado dividiriam 4% das ações da Otrantur Transporte e Turismo, empresa que atuava em São Vicente, na Baixada Santista. Um diretor da companhia foi alvo de uma operação contra a cúpula do PCC em 2020. A Prefeitura de São Vicente rompeu o contrato dois anos depois.

Defesa de Carla

Mensagens chamadas de “salves”, atribuídas ao PCC, também foram encontradas no celular de Satilite. Um comunicado de junho de 2024 trata da situação de Granada na organização e informa que um decreto de morte contra ele havia sido retirado, com sua reintegração ao “comando”. A assinatura traz a sigla SF, de Sintonia Final.

Os advogados Ana Paula e Eliseu Minichillo afirmaram que Carla é empresária e que as acusações são falsas. Eles disseram que as visitas em presídios federais ocorrem em parlatório, por meio de vidro blindado, com gravação, filmagem e supervisão de agentes de inteligência. Segundo a defesa, qualquer conversa que não seja familiar é interrompida.

Os advogados também afirmaram que ainda não tiveram acesso à íntegra do processo e aguardam autorização judicial para contestar as alegações. A defesa de Granada não respondeu às acusações.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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