Marcelo Kayath, ex-diretor do banco de investimentos do Credit Suisse, afirma que o próximo governo precisará corrigir a política econômica para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas. Cotado para o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, ele defende um ajuste fiscal capaz de estabilizar e reduzir a dívida em relação ao PIB.
Para Kayath, o problema fiscal já afeta famílias, empresas e trabalhadores. Juros elevados encarecem o orçamento das famílias, dificultam o financiamento de pequenas empresas e reduzem as oportunidades de emprego. Na avaliação dele, a queda da taxa básica de juros depende de uma mudança duradoura na trajetória das despesas da União.
Ajuste fiscal e programas sociais
O ex-banqueiro rejeita uma política baseada apenas no aumento de impostos ou em cortes indiscriminados de programas sociais. Ele afirma que beneficiários do Bolsa Família e do BPC não são responsáveis pelo desequilíbrio das contas públicas.
A proposta defendida por Kayath inclui o combate a fraudes, a eliminação de pagamentos indevidos, a integração de cadastros e a prevenção de sobreposição entre programas. Também prevê uma porta de saída por meio de escola, creche, saúde, qualificação, emprego, crédito e oportunidades.
“Quem não cuida das contas públicas não pode cuidar das pessoas”, disse.
Segundo Kayath, cerca de 92% das despesas primárias de 2027 já estarão comprometidos com despesas obrigatórias. Ele também menciona aproximadamente R$ 620 bilhões em renúncias tributárias. Para o economista, os números indicam que o desafio não é apenas obter mais recursos, mas fazer escolhas sobre os gastos públicos.
O ajuste, em sua avaliação, deve conter o crescimento automático das despesas, revisar benefícios e renúncias sem justificativa, combater desperdícios e melhorar a eficiência do Estado. Ele afirma que o próximo presidente terá menos espaço fiscal e não poderá contar com um processo gradual de mudança.
Juros e credibilidade
Kayath diz que a redução da Selic não deve ocorrer por decisão isolada. Para ele, a prioridade é recuperar a credibilidade fiscal, sem pressionar o Banco Central. A queda estrutural dos juros dependeria de uma trajetória sustentável para a dívida e de um resultado primário estruturalmente positivo.
“O objetivo não é agradar o mercado financeiro, é fazer a economia funcionar”, afirmou ao explicar a defesa de um ambiente com mais previsibilidade para empresários investirem, contratarem e produzirem.
Ele aponta como principais problemas a combinação de gasto crescente, dívida elevada, juros altos e baixa produtividade. Na visão do ex-diretor do Credit Suisse, esse conjunto reduz o investimento privado e limita o crescimento. Ao mesmo tempo, afirma que o Brasil tem sistema financeiro sólido, reservas importantes e empresas competitivas.
Aproximação com Flávio Bolsonaro
Kayath diz que se aproximou de Flávio Bolsonaro após um jantar em Miami com empresários e investidores. Depois do encontro, participou de outras conversas sobre a economia e propostas para o país.
Ele também organizou uma conversa do senador com banqueiros e empresários. A aproximação fez com que seu nome fosse considerado para o Ministério da Fazenda em caso de vitória de Flávio Bolsonaro. Kayath afirma que aceitaria discutir a função apenas se houvesse condições políticas para implementar uma agenda consistente.
O ex-banqueiro declarou ter participado de mais de 200 operações que levaram cerca de US$ 120 bilhões, equivalentes a R$ 615 bilhões, para investimentos. Ele é engenheiro formado pela UFRJ, sócio da gestora QMS Capital, tem MBA pela Stanford Business School, mora nos Estados Unidos e é violonista premiado. Kayath tem 62 anos.



