CURITIBA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (12) que o governo precisa investir para que a economia cresça e gere empregos. Durante um comício em Curitiba (PR), ele criticou a busca por superávit fiscal e chamou de “babaquice de fazer superávit” a tentativa de manter esse resultado nas contas públicas.
Lula relacionou o custo dos juros à dívida brasileira. Ele afirmou que o país paga R$ 1,3 trilhão em juros e disse que o restante da dívida estaria associado a investimentos.
A declaração contrasta com o plano de governo do PT apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento promete uma política fiscal responsável, com controle do aumento do gasto primário, melhora da eficiência do gasto público, justiça tributária e combate a privilégios e distorções. A proposta também relaciona o resultado fiscal à retomada do crescimento e à redução sustentada da taxa de juros.
Promessa de superávit
As falas também divergem de uma declaração dada por Lula em entrevista à TV Globo, no fim de agosto. Na ocasião, o presidente afirmou que o país teria superávit e mencionou investimentos em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa em um eventual próximo mandato.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou repetidas vezes nas últimas semanas que o governo pretende retomar a trajetória de superávit a partir de 2027, caso Lula seja reeleito. A proposta de orçamento enviada ao Congresso Nacional prevê saldo positivo de R$ 18,6 bilhões, depois de uma previsão de contas no vermelho durante todo o mandato atual.
O objetivo da equipe econômica é criar condições para reduzir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14% ao ano. O plano prevê um ajuste das contas públicas equivalente a dois pontos do PIB em um eventual novo mandato.
Analistas e economistas têm expressado preocupação com a trajetória das contas públicas. Eles avaliam que déficits fiscais recorrentes pressionam os juros e o endividamento. Também afirmam que uma redução artificial da Selic não seria suficiente, porque as taxas negociadas no mercado para prazos mais longos refletem as expectativas sobre os gastos públicos, a atividade econômica e a inflação.
A dívida pública atingiu 82% em junho, maior nível desde a pandemia, com aumento de mais de 10 pontos na parcial da atual gestão de Lula. O avanço da dívida elevou a desconfiança dos investidores, que passaram a exigir juros maiores para financiar o governo. Esse movimento aumenta o custo da rolagem da dívida, feita por meio da emissão de títulos pelo Tesouro Nacional.



