Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que integrantes de um grupo ligado a Daniel Vorcaro, do Banco Master, consideraram negativa a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A conversa ocorreu em 27 de fevereiro deste ano entre Bruno Correa Lopes e Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo. Segundo a investigação, os dois integravam “A Turma”, grupo que receberia pagamentos de Vorcaro para intimidar pessoas, comprar servidores públicos e invadir sistemas oficiais em busca de informações reservadas.
Manolo também é investigado na operação Compliance Zero. Bruno é apontado como responsável pela compra de imóveis e pela intermediação de negócios da família Vorcaro. Na conversa, Manolo enviou a Bruno um link sobre supostos desvios de Daniel e Henrique Vorcaro. Os dois discutiram a situação dos negócios da família e a necessidade de acelerar cobranças e obter documentos.
Bruno afirmou que imóveis estavam sendo vendidos por valores inferiores aos negociados anteriormente, em meio ao avanço das investigações. Depois, reclamou da mudança na relatoria do caso no STF: “Está piorando muito rápido agora que saiu do Toffoli”.
A relatoria havia sido alterada em 12 de fevereiro. Daniel Vorcaro foi preso novamente em 4 de março. O diálogo consta de material enviado pela PF ao STF, que quebrou o sigilo de várias peças relacionadas ao Banco Master na sexta-feira (11).
Toffoli deixou o caso após revelações sobre ligações com Vorcaro no empreendimento do resort Tayayá. A Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, tinha participação no negócio.
Negócios da família Vorcaro
As mensagens também tratam da compra e venda de terrenos e do envio de documentos para acelerar negociações imobiliárias ligadas a Henrique Vorcaro, pai do banqueiro. Em um diálogo de dezembro de 2025, Bruno disse a Manolo que havia presenciado Henrique prejudicar financeiramente o filho. O áudio foi encaminhado a Felipe Mourão, conhecido como Sicário, que tratou Bruno como doente e mentiroso.
Sicário era apontado como integrante de “A Turma” e morreu na sede da PF no dia 6 de março, após ser detido. No início de março, depois de novas prisões de Vorcaro e de Sicário, Bruno afirmou ter recebido informação de que Henrique seria o próximo a ser preso. Henrique foi preso em 14 de maio.
Naquele mês, Manolo conversou com o empresário Daniel Leitão de Almeida sobre negócios e mencionou a morte de Sicário. Em uma das mensagens, disse: “Infelizmente o falecimento lá foi melhor para a gente, né?”.
Grupo recebia pagamentos mensais
As investigações também apontam que os integrantes de “A Turma” tinham férias de fim de ano. Em 13 de dezembro de 2023, Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como líder do grupo, pediu uma definição sobre demandas porque os integrantes entrariam de férias e o trabalho poderia ficar para a última hora.
Segundo a PF, “A Turma” era formada por seis integrantes e recebia cerca de R$ 400 mil por mês. Os pagamentos saíam de empresas ligadas ao grupo empresarial de Vorcaro e chegavam aos integrantes por meio de uma empresa de Mourão.


