O Banco da Inglaterra disse que não pode cumprir instruções sobre as reservas de ouro da Venezuela sem uma nova decisão da Justiça britânica. A manifestação ocorre enquanto o governo venezuelano e a oposição discutem a transferência do metal para o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, em Nova York.
As reservas são avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20,56 bilhões). Pelos termos em negociação, a Venezuela teria o controle legal do ouro, mas não poderia vender os ativos imediatamente. O metal poderia servir como garantia para empréstimos destinados ao financiamento de gastos, inclusive a reconstrução após os terremotos de junho.
Disputa judicial
O impasse começou em 2019, quando Estados Unidos, Reino Unido e outros governos reconheceram Juan Guaidó, então presidente da Assembleia Nacional e opositor de Nicolás Maduro, como presidente legítimo da Venezuela. Desde então, a oposição reivindica o controle das barras armazenadas nos cofres do Banco da Inglaterra.
A disputa chegou à Suprema Corte do Reino Unido. Qualquer transferência dependeria de uma solução para a questão sobre quem tem autoridade legal para dar instruções relativas à conta. “O banco (da Inglaterra) não está em condições de cumprir instruções até que haja uma nova ordem da Justiça britânica”, afirmou um porta-voz do Banco da Inglaterra.
O acordo ainda não foi concluído, e a definição dos detalhes técnicos pode levar algum tempo. O governo venezuelano e a oposição não comentaram as negociações.
Negociação entre governo e oposição
O possível entendimento é tratado como um dos primeiros resultados concretos das conversas entre Delcy Rodríguez, líder interina, e a oposição apoiada pelos Estados Unidos. O processo busca criar condições para novas eleições na Venezuela. No último pleito, em 2024, Maduro se declarou vencedor, enquanto uma contagem de votos da oposição, verificada de forma independente, indicou uma derrota por ampla margem.
Uma delegação de políticos opositores está em Caracas nesta semana para conversar com uma comitiva do governo liderada por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. No início desta semana, ele esteve em Londres para reuniões com o governo britânico e afirmou que haveria “boas notícias” para o povo venezuelano.
No mês passado, governo e oposição anunciaram que trabalhavam juntos para liberar o acesso às 31 toneladas de ouro guardadas no Banco da Inglaterra. A oposição defende controles para evitar o uso indevido das reservas e acredita que o metal será enviado aos Estados Unidos sem acesso direto de Delcy Rodríguez.
Relações internacionais
As conversas ocorrem depois que Reino Unido e Venezuela concordaram, nesta semana, em elevar o nível das relações diplomáticas. O governo britânico informou que voltará a manter um embaixador em Caracas e declarou apoio às discussões sobre novas eleições.
Em janeiro, uma operação dos Estados Unidos capturou Maduro para que ele fosse preso em Nova York. Depois, os norte-americanos suspenderam algumas sanções impostas à economia venezuelana. Em abril, o Fundo Monetário Internacional retomou as relações oficiais com a Venezuela após um hiato de sete anos, permitindo ao governo em Caracas acessar recursos mantidos na instituição.


