Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal afirmam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro custeou viagens e despesas internacionais de dois servidores do Banco Central investigados por supostamente favorecer o Banco Master: Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização.
Segundo a investigação, Vorcaro teria organizado parte da viagem de Belline e da esposa para Paris. Mensagens analisadas pela PF indicariam que ele tratou de reservas em restaurantes, recepção e logística. O relatório menciona um jantar no Lapérouse e um almoço no Loulou, além da recomendação de bons vinhos e comida. Belline e a mulher viajaram para Paris no período das conversas, mas os documentos não apontam outras despesas pagas nem os valores envolvidos.
No caso de Paulo Sérgio, a PF identificou elementos que apontariam para o custeio de uma viagem dele e da família à Disney, nos Estados Unidos. A defesa afirmou que o servidor pagou integralmente passagens, hospedagem, ingressos, moeda estrangeira e despesas nos cartões. Também disse que a viagem estava programada para as férias escolares de janeiro e fevereiro de 2024.
Ainda segundo os advogados, Vorcaro ofereceu a Paulo Sérgio, no dia do embarque, uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário aos parques da Disney e da Universal. O servidor teria aceitado a oferta após pagar US$ 8.000 em espécie, nos Estados Unidos, a uma pessoa indicada pelo ex-banqueiro. A defesa negou que Paulo Sérgio soubesse de um eventual pagamento de US$ 38 mil a Leonardo Giunchetti, agente de viagens, e afirmou que ele não participou nem presenciou essa transação.
Repasse mensal e investigação
A PF também afirma que Belline receberia R$ 500 mil por mês do Banco Master. Documentos anexados ao processo mostram repasses que somariam R$ 3,8 milhões. A polícia classifica os pagamentos como parte de uma atuação para favorecer o banco. Belline e os responsáveis pelos repasses sustentam que os recursos eram destinados a um programa de treinamento financeiro de jovens.
A defesa de Belline, representada por Leonardo Palazzi, afirmou que o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, confirmou a atuação funcional e institucional do servidor. Também negou que Vorcaro tivesse exercido influência sobre ele. A defesa de Belline não havia respondido até a publicação das informações.
O relatório da PF diz que os dois servidores teriam atuado de forma recorrente na defesa de interesses privados de Vorcaro. A investigação menciona orientação técnica, revisão de documentos destinados ao próprio Banco Central, repasse de informações internas e participação em reuniões extraoficiais para definir estratégias ligadas ao conglomerado Master.
Na quinta-feira (10), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte dos documentos sobre o Banco Master, após determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. A medida foi relacionada à preparação da sessão prevista para a próxima terça (15), quando o plenário deve analisar o relatório da PF, que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro, e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o documento.



