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Auditoria da UE é esperada para avaliar retomada da carne bovina brasileira

Inspeção ainda não tem data; governo enviou garantias sobre o uso de antimicrobianos e prevê processo mais longo para a carne bovina.

Auditoria da UE é esperada para avaliar retomada da carne bovina brasileira
Foto: Reuters

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva aguarda uma auditoria presencial da União Europeia para verificar se o Brasil cumpre os protocolos do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção de carne bovina. Os europeus indicaram que farão a inspeção, mas ainda não definiram uma data com as autoridades brasileiras.

A União Europeia suspendeu a importação de carnes e mel do Brasil em 3 de setembro. A justificativa foi que o país não havia comprovado o atendimento às regras europeias para o uso de antimicrobianos durante a vida dos animais. A categoria inclui antibióticos, antiprotozoários e antivirais usados no tratamento dos rebanhos.

O Ministério da Agricultura afirmou que não é possível indicar uma data precisa para a retomada das exportações e não confirmou uma projeção para 2027. A pasta também informou que a volta das compras europeias depende do cumprimento das condições previstas no protocolo de antimicrobianos desenvolvido pelo setor privado.

A carne bovina enfrenta uma avaliação mais longa porque a União Europeia exige que o animal não tenha recebido substâncias proibidas desde o nascimento até o abate. Por isso, a retomada antes da segunda metade do próximo ano é considerada improvável.

Garantias apresentadas pelo Brasil

Entre as medidas enviadas ao bloco está um protocolo privado de exportação de bovinos, aprovado pelo governo federal no início de junho. O documento prevê vistorias de uma empresa certificadora nas propriedades, com análise do plano de manejo, das condições físicas de criação e inspeção individual por amostragem no rebanho. Essas verificações se somam à fiscalização rotineira do governo federal.

A Abiec informou que o protocolo já está em execução e teve adesão de 100% dos produtores associados habilitados a exportar para a Europa. O Ministério da Agricultura também criou regras para destacar antibióticos, antivirais e antiprotozoários reservados ao tratamento humano e definiu responsabilidades para os abatedouros que vendem ao mercado europeu.

As exigências incluem rastreabilidade das matérias-primas, manutenção de registros e bloqueio de lotes quando houver perda de elegibilidade. Em caso de não conformidade, o protocolo determina comunicação imediata ao ministério, avaliação de técnicos da pasta e apresentação da rastreabilidade completa dos produtos.

A União Europeia deverá informar se as garantias brasileiras são suficientes para comprovar o cumprimento das regras do bloco. A auditoria na cadeia de aves e mel, concluída na última sexta-feira (4), teve sinalização positiva, e o governo espera retomar essas exportações em até dois meses.

Em entrevista na terça-feira (8), o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, afirmou que os auditores consideraram satisfatório o processo de segregação dos produtos sem uso de antimicrobianos na cadeia de aves e mel.

As exportações brasileiras de carne bovina e frango para a Europa somaram US$ 1,8 bilhão (R$ 10 bilhões) em 2025. A Abiec afirmou que a União Europeia é um mercado estratégico e que a interrupção das vendas preocupa o setor. A entidade também declarou que não há substituição automática desse destino, porque os diferentes mercados demandam produtos e cortes distintos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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