STUTTGART — O CEO da Porsche, Michael Leiters, afirmou que a fabricante manterá o desenvolvimento de veículos a gasolina e descartou uma versão elétrica do esportivo 911. A empresa, controlada pela Volkswagen, também prepara uma nova versão a combustão do Macan, seu modelo mais vendido, prevista para 2028.
Leiters assumiu o comando da Porsche em janeiro e rejeitou a avaliação de que seria contrário aos veículos elétricos. Segundo ele, a empresa precisa corrigir a estratégia para os modelos a gasolina, mas continuará oferecendo as duas tecnologias. A versão elétrica do esportivo 718 segue em desenvolvimento, enquanto o 911 não terá uma configuração elétrica.
Vendas e rentabilidade
A mudança ocorre após a queda nas vendas da Porsche na China e o impacto da transição para os veículos elétricos sobre os resultados. No primeiro semestre, as vendas do Macan elétrico recuaram 40% na comparação anual, enquanto os modelos a combustão avançaram 2%. Na Europa, a Porsche deixou de vender a versão a gasolina do modelo por não cumprir normas de cibersegurança da União Europeia.
A empresa ainda terá uma lacuna na linha de produtos até a chegada do novo Macan a gasolina, em 2028. Para o SUV de luxo K1, Leiters disse que a Porsche ainda não decidiu quais motores serão utilizados, mas afirmou que existe procura por carros a gasolina entre consumidores de faixas de renda superiores.
A Porsche registrou entregas anuais de cerca de 320 mil veículos e margem de lucro operacional de 18% em 2023. No ano passado, a margem caiu para 1,1%, enquanto as vendas ficaram em aproximadamente 280 mil carros. Na China, as entregas recuaram 32% no primeiro semestre.
Leiters disse que as metas de margem operacional de médio prazo permanecem entre 10% e 15% e que não estão previstos novos cortes de empregos. Desde que assumiu, porém, ele fechou acordo com os sindicatos para eliminar 9.000 postos de trabalho, cerca de 20% da mão de obra, até 2035.
Reestruturação e concorrência
A Porsche encerrou subsidiárias voltadas a bicicletas elétricas, baterias e software e vendeu sua empresa de consultoria de tecnologia da informação à Tata Consultancy Services. Também levantou cerca de 1 bilhão de euros com a venda de participações na Bugatti Rimac e no Rimac Group.
Leiters afirmou que a Porsche precisa reduzir sua escala e suas ambições de vendas. Para ele, a empresa cresceu de forma excessiva durante duas décadas impulsionada pela demanda chinesa. O executivo também disse que o aumento das vendas de veículos elétricos continuará pressionando as margens, já que os custos dessas unidades e dos modelos a gasolina provavelmente não serão iguais no curto prazo.
O CEO avaliou que a China continuará sendo um desafio, com cerca de dois novos produtos chegando ao mercado todos os dias. Ele prevê uma consolidação nesse cenário. Na Europa, BYD e Xiaomi tentam avançar no segmento premium, tradicionalmente dominado pelas fabricantes alemãs.
Leiters disse que a Porsche e outras montadoras alemãs poderiam competir em velocidade e custos com as empresas chinesas se houvesse condições iguais, mas citou diferenças nos custos de mão de obra e energia e o ambiente regulatório europeu como obstáculos.



