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Receita das bets cresce mesmo com queda nos depósitos no primeiro semestre

Dados da Fazenda mostram aumento da receita e perda de apostadores ativos, enquanto 43,8 milhões de brasileiros já usaram plataformas até agosto.

Receita das bets cresce mesmo com queda nos depósitos no primeiro semestre
Foto: Allison Sales/Folhapress

A receita das plataformas de apostas autorizadas pelo governo aumentou 5,9% no primeiro semestre de 2026, apesar da redução no volume de depósitos e no número médio de apostadores que fizeram pagamentos mensais. Entre janeiro e junho, os depósitos somaram R$ 88,5 bilhões, ante R$ 99,2 bilhões no mesmo período de 2025.

O valor pago em prêmios também recuou, de R$ 80,1 bilhões para R$ 68,3 bilhões. Ainda assim, a receita das casas correspondeu a 22,8% dos depósitos. A retenção máxima prevista em lei é de 15%, enquanto o setor havia anunciado uma taxa de 7%.

Menos apostadores ativos

A quantidade de pessoas que fizeram depósitos caiu na média mensal do primeiro semestre: foram 8,5 milhões de brasileiros, contra 9,2 milhões em 2025. O número de apostadores ativos recuou 7,6%, em um período marcado por maior endividamento das famílias e por restrições a beneficiários de programas sociais e de renegociação de dívidas.

O pico mensal ocorreu em janeiro, com 10,2 milhões de apostadores, quando começavam os campeonatos estaduais. Em abril, o total caiu para 7,2 milhões. Houve recuperação em junho, mês de início da Copa do Mundo.

De acordo com o Ministério da Fazenda, 5 milhões de brasileiros estão bloqueados. Desse total, 3 milhões são beneficiários de programas sociais, 474 mil estão inscritos no programa de renegociação de dívidas e 854 mil pediram autoexclusão.

Total de usuários e impacto nas famílias

Mesmo com a queda entre os usuários ativos, 43,8 milhões de brasileiros já haviam apostado em bets até o fim de agosto. O número equivale a 27% da população adulta e supera em 75,2% os 25 milhões registrados no fim de 2025.

Os dados abrangem as 85 empresas autorizadas pelo governo e as duas companhias que obtiveram permissão judicial. O jogo ilegal não está incluído. As informações foram extraídas do Sigap, sistema de gestão de apostas centralizado do governo, em resposta a um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação.

Em entrevista coletiva na quinta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo discute possíveis restrições às plataformas e aos jogos online, incluindo o tigrinho e o Aviator, considerando os efeitos das apostas sobre o orçamento das famílias. “Seguimos muito preocupados com o custo de vida e com preservar a renda das famílias brasileiras”, disse.

Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, afirmou que a quantidade de transações aumentou no período, mas que o valor depositado por pessoa não cresceu significativamente. Segundo ele, eventos populares podem atrair apostadores ocasionais.

Os homens representam 68,84% dos apostadores, e as mulheres, 31,16%. A faixa etária de 31 a 40 anos concentra 29,07% do grupo. Pelas regras do setor, 88% do faturamento ficou com as bets e 12% com a União e outras entidades beneficiadas pela regulamentação. Essa parcela será de 13% neste ano e chegará a 15% em 2028.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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