O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o reajuste de 15% do Bolsa Família não tem caráter eleitoreiro e está previsto no Orçamento federal. Anunciada a menos de um mês das eleições presidenciais, a medida deverá elevar as despesas em R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões no próximo, conforme estimativas do Palácio do Planalto.
Durigan disse que o aumento não representa uma ampliação geral dos gastos do governo, mas uma correção pela inflação para preservar o poder de compra das famílias atendidas pelo programa. “O aumento já está cabendo no Orçamento brasileiro”, afirmou em entrevista veiculada neste sábado (19).
O governo federal deve apresentar na próxima quinta-feira (24) as medidas fiscais que vão viabilizar o reajuste. Segundo o ministro, os recursos serão acomodados com a retirada de despesas previdenciárias. “Esses R$ 5,8 bilhões vão sair de algum lugar, e nós vamos acomodar”, disse.
A correção considera a inflação acumulada entre março de 2023, quando começou a valer a reformulação do Bolsa Família, e agosto deste ano. Nesse intervalo, o INPC registrou alta de 15,04%. O índice é usado para acompanhar famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos. No mesmo período, o IPCA subiu 16,3%.
Se o cálculo tivesse como referência agosto de 2022, quando o benefício passou a R$ 600, o reajuste pelo INPC seria de 17,5%, levando o valor a R$ 705. Esse período corresponde ao governo de Jair Bolsonaro.
Medidas contra apostas
O governo também discute medidas para endurecer as regras aplicadas às bets, mas Durigan afirmou que ainda não há decisão. Em comício realizado nesta sexta-feira (18), em Guarulhos (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, se dependesse de sua vontade, acabaria com as empresas de apostas.
Dados do Ministério da Fazenda mostram que as bets autorizadas a operar em nível federal receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos ao longo de 2025. Desse total, R$ 36,9 bilhões foram saldo negativo dos apostadores e se transformaram em receitas das casas.
Durigan afirmou que o governo avalia novas ações para conter o impacto das apostas sobre o poder de compra e o endividamento das famílias. Entre as possibilidades em estudo está o uso de recursos públicos para comprar dívidas antigas de consumidores que estão nos bancos e têm baixa chance de recuperação. O ministro não detalhou as demais medidas.



