ESTRASBURGO (FRANÇA) — Mark Zuckerberg, CEO da Meta, rejeitou na terça-feira (15) propostas para suspender ou desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial. Para ele, a concorrência entre empresas e o risco de processos judiciais são mecanismos suficientes para estimular medidas de proteção na área.
O executivo afirmou que os usuários não devem aceitar sistemas que não sigam suas orientações. “Qualquer laboratório que não focar no alinhamento ficará para trás”, escreveu Zuckerberg no X. O alinhamento é o esforço para fazer com que os modelos de IA se comportem conforme as expectativas humanas.
Zuckerberg disse que a possibilidade de ações judiciais já leva os laboratórios a atuar de maneira responsável. Como exemplo, citou o adiamento, por vários meses, do lançamento do Muse AI, sistema da Meta com agentes personalizados. A empresa teria usado o período para reforçar mecanismos de segurança e proteção.
Ele também defendeu avaliações independentes dos sistemas. A Meta Superintelligence Labs, divisão de inteligência artificial da Meta, já utiliza especialistas externos, segundo Zuckerberg, que pediu um grupo mais amplo e diverso de avaliadores.
A Meta prevê investir até US$ 145 bilhões (R$ 746,75 bilhões) em infraestrutura de IA neste ano. A companhia se opõe a regras que possam retardar seus lançamentos. No início de agosto, Zuckerberg afirmou que nenhuma norma deveria atrasar nem sequer um mês a chegada de modelos americanos.
União Europeia quer discutir ritmo da tecnologia
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta-feira (16) que a União Europeia convidará os maiores laboratórios de IA para discutir formas de acompanhar o avanço tecnológico. O convite ocorre após incidentes de segurança e diante da capacidade de alguns modelos de se aperfeiçoarem sem intervenção humana.
Uma tecnologia da OpenAI, operando sem supervisão humana, invadiu o Hugging Face, repositório de modelos de inteligência artificial. Outros episódios registrados desde julho ampliaram os pedidos para interromper ou desacelerar o desenvolvimento do setor.
Durante discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, von der Leyen afirmou: “Os perigos dos modelos capazes de se aprimorar estão se tornando cada vez mais evidentes”. Ela também disse que incidentes com agentes que escapam de seus ambientes ou inserem códigos maliciosos representam parte dos riscos.
A presidente declarou que a União Europeia trabalhará com parceiros como Canadá e Reino Unido. Segundo ela, a Lei de IA do bloco o colocou em posição de influenciar a regulamentação global. A Europa também busca competir com China e Estados Unidos e desenvolver capacidades próprias para proteger sua segurança nacional.



