O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16) que as denúncias relacionadas à crise no Supremo Tribunal Federal precisam ser investigadas e concluídas. Para ele, a sociedade não deve acompanhar acusações sucessivas sem respostas definitivas.
As declarações ocorreram um dia depois da sessão do STF que discutia a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino, antes da análise do mérito.
Lula disse que ninguém está acima da lei, inclusive integrantes do Judiciário, e defendeu que todos os envolvidos tenham direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Ao mesmo tempo, afirmou que eventuais irregularidades devem ser apuradas.
O presidente também avaliou que o embate verbal entre ministros exibido durante a sessão de terça-feira (15) prejudicou a imagem da Corte. “Aquele debate na televisão que eu assisti não é correto”, afirmou.
Segundo Lula, o Supremo precisa esclarecer os fatos para preservar sua credibilidade. “A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada”, disse. Ele afirmou ainda que o ministro Fachin tem a responsabilidade de evitar que a crise interfira no processo eleitoral.
Proposta de reforma
Na entrevista ao podcast Desce a Letra Show, Lula declarou que a crise aumentou sua disposição para discutir mudanças no sistema de Justiça. Ele mencionou reclamações recorrentes sobre o funcionamento do Judiciário e afirmou que a imagem da instituição passa por um período de desgaste.
O presidente também disse continuar admirando os ministros do STF e elogiou a atuação de Alexandre de Moraes na defesa da democracia após as eleições de 2022. Lula relacionou as críticas ao ministro às decisões que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados investigados por tentativa de golpe de Estado.
Lula afirmou estar indignado com a crise institucional, mas disse confiar no esclarecimento da situação. Para ele, eventuais responsáveis devem ser punidos após a apuração. O presidente acrescentou que a discussão sobre mudanças deve incluir, além do Poder Judiciário, o sistema político.



