A AfD, partido de extrema direita da Alemanha, obteve fortes resultados nas eleições estaduais deste domingo (20), em meio à queda de popularidade do chanceler Friedrich Merz. O premiê classificou o desempenho da legenda como um desastre e defendeu seu programa de reformas como “antídoto para o veneno autoritário”.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD ficou à frente, com 37% dos votos, enquanto o SPD, de Manuela Schwesig, alcançou 35,5%. O resultado deve permitir que Schwesig continue como governadora, embora a legenda de extrema direita tenha dobrado sua representação no Parlamento estadual.
Em Berlim, a AfD deve formar a terceira maior bancada, com 16% dos votos. A Esquerda aparece com 24,5%, seguida pela CDU, partido de Merz, com 20%. A Esquerda também deve assumir a prefeitura da cidade-estado, com Elif Eralp, que propõe uma coalizão com o SPD e os Verdes.
Pressão sobre o governo
Os pleitos estaduais foram tratados como uma avaliação da administração de Merz. Durante o domingo eleitoral, o chanceler convocou uma reunião do comitê executivo da CDU, movimento que surpreendeu analistas e a imprensa.
“Invocarei essas qualidades como presidente da CDU e, sobretudo, como chanceler [primeiro-ministro] do nosso país”, declarou Merz ao mencionar firmeza, perseverança e paciência diante das especulações sobre seu futuro.
A AfD havia chegado perto de formar seu primeiro governo em Saxônia-Anhalt, onde obteve quase 44% dos votos há duas semanas. A possibilidade representaria um marco para a Alemanha, que criou garantias constitucionais e um sistema político voltados a impedir o surgimento de um novo partido nazista após o Holocausto e a derrota na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A popularidade de Merz atingiu novo recorde negativo na última semana: 88% dos entrevistados estavam insatisfeitos, enquanto 10% aprovavam sua gestão. Eleito em 2025, o conservador enfrenta dificuldades para aprovar reformas em um país cuja economia está estagnada há anos.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os democratas-cristãos tiveram um dos piores resultados dos 81 anos de história da CDU e ficaram pouco acima da cláusula de barreira de 5%. Dirigentes locais atribuíram o desempenho às políticas de Merz. Schwesig também criticou o chanceler, incluindo sua oposição a pontos da reforma da Previdência e a ausência de um teto para os combustíveis, cujo preço subiu com o recrudescimento do conflito no estreito de Hormuz.



