SAXÔNIA-ANHALT — A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, mas não alcançou a maioria necessária para governar sozinha. O partido recebeu 43,8% dos votos e conquistou 39 dos 83 assentos da Assembleia Legislativa. Para eleger o governador, são necessários 42 apoios.
A votação abriu uma disputa para formar o próximo governo do estado e pode levar a extrema direita ao poder pela primeira vez na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial. Como nenhum partido obteve mais da metade das cadeiras, as legendas terão de negociar uma coalizão majoritária ou tentar viabilizar um governo minoritário.
AfD tenta romper isolamento
A AfD anunciou que buscará alianças, apesar de todos os partidos terem rejeitado durante a campanha uma coalizão com a legenda. Tino Chrupalla, copresidente do partido, afirmou à emissora pública ARD que serão feitas propostas de diálogo a todas as forças políticas.
O movimento enfrenta o chamado cordão sanitário, compromisso adotado por outros partidos para não cooperar com a extrema direita. Na Saxônia-Anhalt, o diretório estadual da AfD é classificado por autoridades de inteligência como uma “organização extremista de direita”. A legenda nunca liderou um governo estadual.
O primeiro alvo do partido deve ser a União Democrata Cristã (CDU), que ficou em segundo lugar. A legenda obteve 17,2% dos votos e 15 assentos, uma queda de 19,9 pontos percentuais em relação à eleição de 2021. A AfD, por sua vez, avançou 23 pontos percentuais.
Chrupalla pediu que a CDU reavalie sua posição após o resultado. Até agora, porém, a sigla conservadora descartou a possibilidade de incluir a AfD em uma coalizão.
BSW pode decidir a formação do governo
A Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), legenda populista de esquerda liderada por Sahra Wagenknecht, também pode ser decisiva. O partido obteve 5,3% dos votos e cinco assentos em sua primeira eleição estadual na Saxônia-Anhalt, superando por pouco a barreira de 5% exigida para entrar no Parlamento.
A BSW compartilha com a AfD posições restritivas sobre imigração e favoráveis à Rússia. Durante a campanha, indicou que poderia viabilizar um governo liderado pela extrema direita. Nesta segunda-feira (7), confirmou que não pretende bloquear a AfD na votação para governador e defendeu um “novo começo político”.
AfD e BSW somam 44 assentos. Ainda não está definido, porém, se a BSW formaria uma coalizão com a extrema direita ou apenas apoiaria um governo minoritário.
Alternativas para impedir a AfD
A AfD também tenta atrair deputados individualmente, contrariando a orientação oficial de seus partidos. Ulrich Siegmund, candidato da legenda ao governo estadual, disse que já há conversas com grupos parlamentares e parlamentares eleitos.
Para impedir a chegada da AfD ao poder, CDU, Partido Social-Democrata (SPD) e Verdes precisariam formar uma coalizão. Juntos, os três partidos têm 31 assentos. O apoio do partido A Esquerda elevaria o bloco a 39 votos. A CDU rejeitou incluir a legenda na coalizão, embora A Esquerda esteja aberta a negociar seu apoio.
Se não houver maioria absoluta nas duas primeiras rodadas de votação, a Assembleia Legislativa poderá decidir pela dissolução do Parlamento. Essa medida exige 42 votos e levaria a novas eleições.
Caso o Parlamento não seja dissolvido, haverá uma terceira votação. Nela, vence o candidato que obtiver maioria simples dos votos válidos, sem contar as abstenções. Essa regra permite a formação de um governo minoritário mesmo sem os 42 apoios.
A BSW já considera se abster nessa etapa, o que poderia favorecer a AfD. Nesse cenário, os 39 votos obtidos pela coalizão contrária à extrema direita poderiam bastar para que a AfD alcançasse a maioria simples. Se CDU, SPD, Verdes e A Esquerda formarem um bloco, as duas possíveis candidaturas poderão terminar com a mesma quantidade de votos, ampliando o impasse.



