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Política

Alcolumbre mobiliza aliados e emendas diante de risco eleitoral no Amapá

Presidente do Senado apoia o grupo governista, enquanto Dr. Furlan lidera pesquisa para o governo do estado por 55% a 35%.

Alcolumbre mobiliza aliados e emendas diante de risco eleitoral no Amapá
Foto: Raphael Di Cunto/Folhapress

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), mobiliza aliados, emendas parlamentares e cargos federais para tentar impedir a derrota de seu grupo político no Amapá. O ex-prefeito de Macapá Dr. Antônio Furlan (PSD) lidera a disputa pelo governo estadual e pode fortalecer uma oposição capaz de ameaçar os planos de Alcolumbre para a própria reeleição, em 2030.

Pesquisa Quaest realizada de 21 a 24 de agosto mostra Furlan com 55% das intenções de voto, contra 35% do atual governador, Clécio Luís (União Brasil), aliado do senador. Furlan conta com quatro partidos, enquanto Alcolumbre montou uma coligação de 12 siglas.

Estrutura política e influência federal

Alcolumbre indicou dois ministros de Estado e controla recursos de emendas parlamentares, além de cargos federais. Entre eles está a direção da Codevasf, estatal responsável por obras voltadas à redução de desigualdades regionais e que passou a atuar no Amapá com obras e distribuição de máquinas.

O senador também tem o apoio de 90% dos deputados estaduais e federais, de 15 dos 16 prefeitos do estado e do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). O presidente Lula esteve no Amapá durante a campanha.

Embora não seja candidato nesta eleição, Alcolumbre tem participado de atividades como se estivesse na disputa. Na noite de 14 de agosto, um dia antes do início oficial da campanha, passou quatro horas em uma feira em Macapá, onde cumprimentou eleitores, ouviu demandas e dançou brega.

Em um dos encontros, um produtor de mel de Laranjal do Jari pediu energia elétrica para sua comunidade. Alcolumbre respondeu: “Precisa da subestação, vamos resolver. Eu sei tudo, eu sei tudo”.

Obras e dependência do poder público

A força de Furlan está concentrada na capital. Em 2024, ele foi reeleito prefeito com 85% dos votos. O resultado tem peso no estado porque 55% dos 577 mil eleitores estão em Macapá, enquanto outros 15% vivem na região metropolitana.

O ex-prefeito promoveu shows gratuitos, ampliou sua exposição nas redes sociais e realizou obras que alteraram a paisagem da cidade. Apresenta-se como “prefeitão” e promete levar seu modelo de gestão para o restante do Amapá.

Em Itaubal, uma Unidade Básica de Saúde foi reformada com emendas parlamentares atribuídas a Alcolumbre. Ao lado, foram construídas 21 casas de um conjunto habitacional, e uma escola municipal está em obras. Também foram financiadas praças, escolas, unidades de saúde e uma nova sede para a prefeitura.

Moradores relatam que o senador é associado à chegada de investimentos federais. Um pedreiro, que pediu para não ser identificado, afirmou que Alcolumbre “traz obras”, mas também relatou que oportunidades de trabalho em obras públicas seriam destinadas a parentes, amigos e aliados de representantes locais. Declarações semelhantes foram feitas por quatro moradores, dois assessores de políticos e um empreiteiro.

Disputa judicial e planos para 2030

A dependência da economia local em relação ao poder público é um dos elementos explorados por Alcolumbre para tentar reverter a desvantagem eleitoral. “Nós vamos vencer pela política. Anota o que eu digo, vamos virar”, afirmou o senador.

O histórico recente inclui a eleição municipal de 2020, quando uma declaração de Alcolumbre sobre os apagões no Amapá ajudou Furlan a derrotar Josiel Alcolumbre, irmão do senador. Furlan assumiu a prefeitura com R$ 87 milhões em emendas parlamentares e R$ 381 milhões da privatização do saneamento.

A atuação atual de Alcolumbre também está ligada à possibilidade de o governo estadual mudar de lado em 2030. Rayssa, esposa de Furlan derrotada em 2022, é apontada como favorita para uma das vagas ao Senado.

O grupo do senador aposta ainda em decisões judiciais. O principal aliado de Furlan, que era vice-prefeito de Macapá, está afastado desde março por decisão do STF. O Ministério Público Eleitoral acusa o ex-prefeito de tentar burlar a Lei da Ficha Limpa ao renunciar ao cargo após um pedido de impeachment relacionado à agressão a um jornalista.

Furlan nega a acusação e afirma que a Câmara Municipal, controlada por um aliado de Alcolumbre, fraudou o protocolo e acelerou o processo para tirá-lo do cargo. A candidatura foi autorizada, mas um recurso tramita no TSE, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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