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Catorze candidatos de 2026 somam mais de R$ 100 milhões em multas ambientais

Levantamento reúne autuações do Ibama e do ICMBio aplicadas nos últimos dez anos; sete candidatos têm registros no Pará.

Catorze candidatos de 2026 somam mais de R$ 100 milhões em multas ambientais

Quatorze candidatos às eleições de 2026 acumulam mais de R$ 100 milhões em multas ambientais aplicadas pelo Ibama e pelo ICMBio nos últimos dez anos. O levantamento da ASCEMA Nacional considerou nomes com pelo menos R$ 1 milhão em autuações individuais.

As infrações incluem destruição de vegetação nativa, desmatamento, exploração de áreas protegidas e operação de atividades potencialmente poluidoras sem licença. Entre os candidatos estão concorrentes a deputado estadual e federal, ao Senado, ao governo e a suplências.

Quem aparece no levantamento

Daniel Messac de Morais, candidato a deputado estadual pelo Mobiliza, lidera a relação, com quatro multas que somam R$ 60,7 milhões. Romero Jatobá Cavalcanti Neto, do PSB, tem sete autuações, no total de R$ 17,5 milhões. José Lopes Junior, do Republicanos, reúne 12 multas e R$ 8,2 milhões.

Também foram listados Ulisses Vieira Coutinho dos Santos, do PL, com uma multa de R$ 3,3 milhões; Mauricio Buffon, do PL, com três multas que somam R$ 3,1 milhões; e Thiago Araujo, do União Brasil, com duas autuações no valor total de R$ 2,4 milhões.

Completam a lista Edson Giroto, candidato a deputado federal pelo PL, com R$ 2,0 milhões; Antonio Galvan, candidato ao Senado pelo Avante, com R$ 1,6 milhão; Deodalto José Ferreira, do PL, e Tobias Laurindo, do DC, com R$ 1,5 milhão cada; José Alexandre Domingues Guimarães, do MDB, com R$ 1,5 milhão; Daniel Barbosa Santos, do Podemos, com R$ 1,4 milhão; Simão Peixoto Lima, do MDB, com R$ 1,3 milhão; e Wanderley Dias Vieira, do PL, com R$ 1 milhão.

Sete candidatos têm autuações registradas no Pará, principalmente em Altamira e São Félix do Xingu, dentro ou nas bordas da Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu. A região está entre as áreas da Amazônia mais atingidas pelo desmatamento ilegal nos últimos anos.

Cobranças suspensas e regras eleitorais

Entre Daniel Messac, Ulisses Vieira e Tobias Laurindo, as multas com exigibilidade suspensa somam mais de R$ 54 milhões. A suspensão por decisão judicial impede, enquanto estiver vigente, a cobrança administrativa, mas não equivale ao pagamento ou à garantia dos valores.

Messac tem uma autuação de R$ 50 milhões aplicada em outubro de 2020, em São Félix do Xingu, por destruição com fogo de mais de 5 mil hectares no bioma Amazônico. Outras multas do candidato incluem R$ 2,1 milhões, R$ 500 mil e R$ 8 milhões.

Ulisses foi autuado em R$ 3,3 milhões por destruir mais de 650 hectares de vegetação nativa da Amazônia Legal, em Buriticupu. Tobias tem três autuações aplicadas em Macapá, entre setembro e novembro de 2018. Duas, de R$ 1,4 milhão e R$ 10 mil, estão suspensas judicialmente.

A existência de uma multa ambiental não torna o candidato inelegível. A sanção é administrativa ou pecuniária. Pela Lei da Ficha Limpa, a inelegibilidade por motivo ambiental depende de condenação criminal definitiva, com trânsito em julgado, ou proferida por órgão colegiado por crime ambiental previsto em lei.

Outros casos

Romero Jatobá concentra sete autuações aplicadas em outubro de 2020, em Altamira, por infrações contra a flora. Os valores vão de R$ 211,5 mil a R$ 6,34 milhões, e a maior parte dos processos está em fase de recurso ou aguarda homologação.

José Lopes Junior tem 11 autuações contra a flora e uma por descumprimento de termo de embargo. Os autos foram aplicados entre 2018 e 2024, em Lábrea e Boca do Acre. Maurício Buffon foi multado em R$ 3 milhões por operar atividade agropecuária sem licença em uma área de 595 hectares, em Feliz Natal.

Edson Giroto recebeu multa de R$ 2 milhões por destruir ou danificar mais de 401 hectares de vegetação nativa no Pantanal mato-grossense, em Corumbá. Antonio Galvan soma duas autuações em Vera, incluindo uma de R$ 1,5 milhão por operar um aeródromo potencialmente poluidor sem licença.

Deodalto José Ferreira tem a multa mais recente do levantamento: R$ 1,5 milhão, aplicada em agosto de 2026 por danificar 297 hectares na Amazônia. José Alexandre Domingues Guimarães foi autuado por impedir a regeneração natural de vegetação nativa do bioma amazônico com criação de gado em área embargada pelo Ibama.

Daniel Barbosa Santos recebeu multa de R$ 1,4 milhão por destruir 279 hectares de floresta nativa em Tomé-Açu. Simão Peixoto Lima tem seis multas que somam R$ 1,2 milhão, enquanto Wanderley Dias Vieira reúne três autuações por exploração de 203,9 hectares de floresta nativa dentro da Terra Indígena Apyterewa.

Critério do levantamento

A análise consolidou 190 registros do Ibama e do ICMBio vinculados a candidatos. Os registros foram agrupados pelo CPF para evitar a duplicação de pessoas em diferentes processos. Foram mantidos autos sem indicação de cancelamento ou anulação, com data a partir de 01/01/2017, e considerados apenas candidatos com mais de R$ 1 milhão em multas.

A coordenadora da frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, ristiane Mazzetti, afirmou que o histórico socioambiental pode ser considerado pelo eleitor na avaliação de uma candidatura, principalmente no caso de candidatos à reeleição, integrantes de bancadas ou partidos com histórico recente de mudanças na legislação ambiental.

As respostas apresentadas por candidatos e defesas informaram, entre outros pontos, que há processos em recurso, contestações administrativas e ações judiciais em andamento. Tobias Laurindo afirmou ter vencido na Justiça as ações relacionadas às multas suspensas. A defesa de Wanderley Dias Vieira disse que as autuações são administrativas, não representam condenação judicial nem reconhecimento de crime e não geram inelegibilidade.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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