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Pesquisa associa identificação como canhoto a posições políticas mais à esquerda

Levantamento com 1.404 pessoas em 18 países encontrou relação ligada à identidade, e não ao uso efetivo da mão esquerda.

Pesquisa associa identificação como canhoto a posições políticas mais à esquerda
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma pesquisa com 1.404 pessoas em 18 países ocidentais encontrou uma associação estatística entre declarar-se canhoto e posicionar-se mais à esquerda no espectro político. A relação permaneceu depois que os dados foram considerados junto de fatores como idade, renda, gênero e escolaridade.

Os participantes indicaram sua posição em uma escala de dez pontos, da direita à esquerda, e informaram sua lateralidade. Em média, os canhotos ficaram cerca de meio ponto mais à esquerda do que os destros. Na mesma amostra, as mulheres apareceram 0,4 ponto mais à esquerda do que os homens.

A pesquisa foi feita online e não representa necessariamente cada um dos países analisados. Houve uma grande proporção de participantes do Reino Unido, mas os resultados permaneceram semelhantes quando esse país foi retirado da análise. O levantamento se concentrou em países ocidentais para evitar que percepções negativas sobre canhotos, ainda presentes na Ásia ou na África, alterassem as respostas.

Identidade e uso da mão

A associação desapareceu quando a lateralidade foi medida pela mão usada em tarefas cotidianas, como escrever, cortar com tesoura, escovar os dentes ou arremessar uma bola. Nesse caso, os pesquisadores observaram o comportamento efetivo dos participantes, em vez de apenas perguntar se eles se consideravam canhotos.

O resultado enfraquece a hipótese de que uma diferença biológica seja a principal explicação para o posicionamento político. A relação parece estar mais ligada à forma como a pessoa se identifica como canhota do que ao uso predominante da mão esquerda.

O efeito foi mais forte em países latinos como França, Espanha e Itália. Nesses locais, a oposição entre esquerda e direita ocupa um espaço relevante no debate político, o que pode reforçar a associação simbólica entre a identidade de canhoto e a orientação política.

Três hipóteses

Uma possibilidade é o chamado egotismo implícito, pelo qual as pessoas tendem a desenvolver afinidade inconsciente com elementos associados a si mesmas. Como a palavra esquerda descreve tanto a preferência manual quanto uma corrente política, canhotos poderiam criar uma ligação sutil com movimentos identificados com a esquerda.

Outra hipótese está relacionada à experiência social de um grupo minoritário. Os canhotos representam de 10% a 15% da população e enfrentaram estigmatização ao longo da história. Até a década de 1970, crianças canhotas ainda eram forçadas a escrever com a mão direita na escola, especialmente na França. Em algumas culturas, como na Índia e no Oriente Médio, comer com a mão esquerda ainda é mal visto.

Essa experiência poderia favorecer valores associados à tolerância e à proteção de minorias, frequentemente relacionados à esquerda política. A linguagem também preserva marcas desse histórico: em francês, gauche pode designar alguém desajeitado; em italiano, sinistra significa tanto esquerda quanto sinistro.

Uma terceira explicação é neurobiológica. A preferência por uma das mãos reflete parcialmente a organização do cérebro, e alguns pesquisadores associam a organização observada em canhotos a maior flexibilidade cognitiva e abertura a novas ideias. Os dados, porém, relativizam essa hipótese, porque o efeito apareceu na autodeclaração, não na medição do uso da mão em atividades diárias.

Os resultados não significam que todos os canhotos votem na esquerda nem que mudar de mão altere uma ideologia. Os casos de Fidel Castro e Benjamin Netanyahu, ambos apontados como canhotos, são citados como exemplos de que esse grupo não forma uma categoria eleitoral homogênea.

A pesquisa sugere que preferências políticas também podem ser influenciadas por experiências sociais e associações simbólicas que não são percebidas conscientemente. Entre outras características investigadas por pesquisadores está o fato de ter irmãs, associado à possibilidade de homens se tornarem mais conservadores.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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