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Política

Por que Cármen Lúcia ficou distante dos espaços informais de poder

A ausência da ministra expõe como decisões políticas também são construídas em ambientes informais dos quais mulheres costumam ser excluídas.

Por que Cármen Lúcia ficou distante dos espaços informais de poder
Foto: Rosinei Coutinho/AFP

A ausência de Cármen Lúcia em ambientes informais de articulação política expõe uma barreira que vai além da participação institucional. Pesquisadoras apontam que ocupar um cargo no Supremo Tribunal Federal ou um mandato no Congresso não garante, por si só, influência sobre as decisões tomadas nesses espaços.

A política também é construída em encontros fora das instituições, muitas vezes organizados para um público masculino. Nesses ambientes, relações podem ser formadas durante horas de convivência em viagens ao exterior, degustações de uísque ou festas. A lista de convidados para uma festa do banqueiro Daniel Vorcaro no Madame Satã, com 20 homens e 120 mulheres, chamou atenção pela ausência da ministra, a única mulher na atual composição do Supremo.

O contraste apareceu no mesmo momento em que Cármen Lúcia participou de uma sessão marcada por conflitos entre ministros. Na terça-feira (16), ela falou uma vez: “Eu estou nesta sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza”.

A questão não é determinar se a ministra aceitaria um convite ou compará-la eticamente aos demais integrantes da Corte. O ponto é que, quando mulheres não participam dos círculos informais em que pautas e alianças são construídas, elas têm menos capacidade de influenciar a agenda e ampliar a presença feminina nas instituições.

Esse mecanismo também aparece na escolha dos integrantes do Supremo. Apesar das reivindicações de sua base, o presidente Lula (PT) indicou homens para as três últimas vagas abertas na Corte, todos de sua confiança. Ao mesmo tempo, a baixa presença feminina mantém a estrutura: sem participação numérica relevante, torna-se mais difícil alterar um ambiente político organizado sob referências masculinas.

No Congresso, as mulheres são menos de um quinto dos parlamentares, embora representem mais de metade da população. Atualmente, não há nenhuma mulher na liderança de partido, federação ou bloco partidário na Câmara dos Deputados. Em 200 anos de história do Parlamento, nunca houve uma mulher na presidência da Câmara ou do Senado.

A ruptura desse ciclo depende da ação de eleitoras e eleitores, segundo a análise apresentada.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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