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Política

Caso Master amplia crise no STF e envolve políticos em ano eleitoral

Investigações apontam suspeitas sobre contratos, repasses e relações de Daniel Vorcaro com autoridades e políticos, incluindo Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes.

Caso Master amplia crise no STF e envolve políticos em ano eleitoral
Foto: Antonio Augusto/STF

O caso Master passou de uma investigação sobre suspeitas de fraude bilionária a uma crise que envolve políticos, autoridades do Judiciário e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O Banco Central liquidou a instituição em novembro de 2025, e a Polícia Federal prendeu o dono do banco, Daniel Vorcaro.

As apurações indicam a venda de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos que o banco não teria condições de honrar. Depois da prisão, a PF apreendeu o celular de Vorcaro e encontrou mensagens e registros sobre contatos com integrantes do Legislativo e do Judiciário, servidores públicos, políticos e dirigentes de instituições financeiras.

Relações investigadas

Os investigadores apontam possíveis pagamentos, presentes, convites para eventos e outros benefícios em troca de informações ou de medidas favoráveis aos interesses do Banco Master. A Operação Compliance Zero, criada para aprofundar as apurações, teve dez fases até julho.

No STF, Dias Toffoli inicialmente supervisionava o caso. Em fevereiro, a relatoria passou para André Mendonça, após suspeitas sobre o envolvimento de Toffoli em negócios com um fundo ligado ao Master.

Mensagens indicam que Alexandre de Moraes conversava com Vorcaro sobre a possibilidade de uma operação da PF contra o banqueiro. Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, ele foi preso no aeroporto quando tentava deixar o Brasil.

A PF também apontou que Moraes teria revisado e editado um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e empresas ligadas ao Master. Outro contrato, de R$ 50 milhões, previa pagamentos em dinheiro ou com bens. Uma proposta estabelecia que R$ 40 milhões seriam quitados com cotas de um jatinho e de um helicóptero.

Os documentos também registram contatos frequentes entre Moraes e Vorcaro e possíveis encontros entre março de 2024 e agosto de 2025. Há ainda mensagens sobre uma viagem a Campos do Jordão, no estado de São Paulo, em dezembro de 2023, para a qual Vorcaro teria organizado uma programação para convidados classificados como “ultra VIP”.

Flávio Bolsonaro e o filme sobre Jair Bolsonaro

Flávio Bolsonaro passou a ser investigado em um inquérito relatado por André Mendonça, que apura repasses feitos por Vorcaro. Documentos cujo sigilo foi parcialmente retirado na quinta-feira (10) indicam suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O senador negou irregularidades e defendeu a abertura dos sigilos.

As apurações começaram após mensagens e um áudio indicarem que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para produzir o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Segundo os documentos mencionados na investigação, Vorcaro teria pago R$ 61 milhões. Flávio afirmou que o pedido correspondia a um patrocínio para um projeto privado.

Em julho, foi aberta uma investigação para esclarecer a origem, o uso e o destino dos recursos do filme, inclusive se parte do dinheiro teria sido usada para financiar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Há outro inquérito no STF sobre “Dark Horse”, relatado por Flávio Dino. Nesse caso, são investigados a produtora Karina Gama e o roteirista Mario Frias (PL). A PF apura se R$ 2 milhões em emendas parlamentares direcionadas por Frias foram usados em contratos não cumpridos pela produtora. Uma operação realizada na quinta-feira (10) apreendeu materiais em endereços dos dois e de outros investigados.

Outros políticos e crise no Supremo

Os sigilos de investigações sobre Ciro Nogueira, Cláudio Castro, Jaques Wagner e Thiago Miranda também foram quebrados. A apuração sobre Wagner examina sua relação com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e possíveis vantagens financeiras por meio de uma empresa ligada a familiares e da compra de um apartamento de luxo em Salvador. Wagner nega irregularidades.

No caso de Ciro Nogueira, a PF investiga possível atuação do senador no Congresso em favor de Vorcaro e do Banco Master, incluindo a chamada “emenda Master”. Nogueira também negou as acusações.

A investigação envolvendo Cláudio Castro analisa possíveis irregularidades nos R$ 3,6 bilhões aplicados pelo Rioprevidência no Banco Master. Os investigadores apontam uma possível manobra na direção do fundo para viabilizar operações de alto risco. Castro negou as irregularidades.

A divulgação dos diálogos entre Moraes e Vorcaro agravou o conflito no STF. André Mendonça acusou a PF de monitorar ministros da Corte e determinou a destituição do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Moraes, por sua vez, usou relatórios de inteligência da PF, sem caráter probatório, para acusar Mendonça de abuso de autoridade e pediu que ele fosse investigado.

Na quarta-feira (9), Edson Fachin retirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News, suspendeu decisões de Mendonça e Dino sobre a direção da PF e pediu a abertura de sigilos de inquéritos do caso Master. O presidente do STF marcou uma sessão para a próxima terça-feira (15), na tentativa de encontrar uma saída para a crise.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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