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Casos graves de dependência dobram no centro de São Paulo em 2026

Registro municipal aponta 447 dependentes de alta complexidade no primeiro semestre, ante 222 nos primeiros cinco meses de 2025.

Casos graves de dependência dobram no centro de São Paulo em 2026
Foto: Folhapress

O número de dependentes químicos classificados como de alta complexidade no centro de São Paulo mais que dobrou em 2026, apesar do anúncio do fim da cracolândia pelas gestões estadual e municipal. O registro do programa municipal anticrack contabilizou 447 pessoas nessa categoria no primeiro semestre, contra 222 nos primeiros cinco meses de 2025.

Os casos são definidos pela prefeitura como Mais Vulneráveis (MV). São pessoas com dependência severa de drogas, comorbidades clínicas graves — como tuberculose, HIV e transtornos psiquiátricos — e histórico extenso de recusa a tratamentos. Entre janeiro e junho de 2026, as equipes municipais fizeram 3.965 abordagens destinadas a esse público na região central, uma média de nove atendimentos individuais por pessoa no semestre.

A concentração de usuários na rua dos Protestantes, em Campos Elíseos, foi desmobilizada em maio do ano passado. A área foi posteriormente transformada em uma praça com quadra e parquinho, apresentada na campanha à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). No início de julho, Tarcísio e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) participaram da inauguração do espaço, chamado Praça do Triunfo. O deputado estadual André do Prado (PL), candidato ao Senado por São Paulo, também esteve no evento.

Apesar da dispersão, grupos menores continuaram a aparecer em diferentes pontos do centro. Clarice Madruga, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do Lecuca (Levantamento de Cenas de Uso em Capitais), afirma que a fragmentação de um grande ponto de reunião leva usuários a se organizarem em grupos menores para consumir crack. “A torneira nunca fechou”, disse.

O levantamento, publicado anualmente desde 2016, é usado pelas administrações municipal e estadual para definir o que caracteriza um fluxo de usuários: pelo menos 15 pessoas aglomeradas durante três dias consecutivos no mesmo ponto. Os estudos de Madruga indicam que, até 2024, o número de novos dependentes químicos nas ruas da capital paulista crescia 20% ao ano.

Abordagens e apreensões

A Prefeitura de São Paulo informou que as abordagens de equipes de Assistência Social caíram 24,5% após o esvaziamento da rua dos Protestantes, de 26.077 no primeiro semestre de 2025 para 19.694 no primeiro semestre de 2026. A gestão afirmou, porém, que reforçou as ações em outros locais do centro e que o atendimento a pessoas em situação de rua e com uso de álcool e drogas continua na cidade.

As apreensões e as conduções por suspeita de tráfico também foram registradas depois da desmobilização. A Secretaria de Segurança Pública informou a apreensão de 550 quilos de drogas na região central entre janeiro e julho deste ano. A Guarda Civil Metropolitana disse ter retirado de circulação 814 quilos no primeiro semestre, ante 1,8 mil quilos em 2025.

A GCM conduziu 206 suspeitos a delegacias entre janeiro e junho de 2026, contra 234 no mesmo período de 2025. O governo estadual afirmou que ampliou a atuação das forças de segurança e das equipes sociais após a desmobilização da antiga cracolândia. Segundo a administração de Tarcísio, cerca de 2.000 policiais militares monitoram pontos de uso de drogas.

Artur Guerra, que comandou o programa municipal anticrack entre 2017 e 2022, considera que o fim da grande aglomeração não elimina a dependência. Para o psiquiatra, os usuários migraram para outros locais, onde a abordagem deveria ser mais eficiente. “É um problema crônico e enraizado”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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