Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça discutiram durante a sessão do Supremo Tribunal Federal desta terça-feira (15), que analisa a crise do Banco Master. O confronto começou depois que Gilmar defendeu Paulo Gonet, procurador-geral da República, que havia negado ter mantido relações com Daniel Vorcaro, dono do banco.
Gilmar acusou Mendonça de agir com "desfaçatez" e "leviandade". O ministro também disse que o colega adotava uma postura policialesca ao tratar do caso. Mendonça reagiu e pediu respeito: "Isso aqui não é brincadeira!". Gilmar respondeu: "Pode chorar, pode chorar". Mendonça negou que estivesse chorando e voltou a exigir respeito.
Depois da discussão, Flávio Dino anunciou um pedido de vista do julgamento. Ele também cobrou do presidente do STF, Edson Fachin, providências sobre o bate-boca entre os ministros.
Mensagens no celular de Vorcaro
Dino mencionou mensagens envolvendo ministros do STF que estariam no celular de Daniel Vorcaro. O ministro Luiz Fux afirmou que não havia mensagens com ele e disse nunca ter visto o ex-banqueiro. Dino respondeu que havia registros e afirmou que Fux teria de prestar esclarecimentos em momento próprio.
A crise no STF se intensificou após Mendonça retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master. Um dos documentos registrou 52 mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. O material também mencionou encontros presenciais entre o banqueiro e o ministro, além de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes.
A divulgação dos documentos gerou um confronto entre Moraes e Mendonça, relator das investigações. Moraes acusou o colega de liberar os autos de forma seletiva e omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias às investigações em andamento e dados de terceiros.
Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral às provas extraídas do celular de Vorcaro. Após uma determinação de Zanin, a Polícia Federal confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A Procuradoria-Geral da República apoiou a ampliação do acesso.
Diante do conflito, Fachin separou os processos. O caso sobre as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).



