O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou nesta terça-feira (15) ter mantido uma relação de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Gonet, os dois tiveram apenas um encontro, em abril de 2024, com a presença de várias autoridades. Ele classificou a ligação entre ambos como “brevíssima e banal”.
A declaração ocorreu durante uma sessão em que ministros analisavam um pedido apresentado por Gilmar Mendes e Flávio Dino. A proposta previa reunir processos relacionados ao caso, redistribuir a relatoria por sorteio e abrir prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Mensagens e relatório da Polícia Federal
Mensagens extraídas de um celular de Vorcaro indicam, segundo relatório da Polícia Federal, contatos entre o banqueiro e Gonet. O documento foi tornado público nesta terça-feira (1º), após decisão do ministro André Mendonça, e foi produzido com dados de um aparelho apreendido na Operação Compliance Zero.
O advogado Ciro Soares aparece como principal interlocutor nas mensagens. De acordo com o relatório, ele intermediou contatos entre Vorcaro e Gonet. Em 15 de março de 2025, Ciro enviou ao banqueiro uma foto ao lado do procurador-geral e, depois, escreveu que Gonet queria falar com ele. Na sequência, foram registradas quatro chamadas entre Vorcaro e Ciro, que a Polícia Federal interpretou como indicação de uma conversa do banqueiro com o PGR pelo telefone do advogado.
Em 28 de março de 2025, Ciro encaminhou mensagens atribuídas a Gonet sobre uma viagem para Londres. Nos dias 29 de março e 11 de abril de 2025, também escreveu que o procurador-geral perguntara se o filho poderia viajar com o grupo. O relatório menciona ainda uma lista de nomes enviada por Ana Matos, funcionária do marketing do banco, para aprovação de despesas.
Em abril de 2025, após a publicação de informações sobre negociações e operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), Ciro afirmou a Vorcaro que estava a caminho da PGR.
Manifestação no Supremo
A sessão foi suspensa por um pedido de vista de Flávio Dino. O placar terminou em 4 votos a 3 pela manutenção, em separado, das análises do Supremo sobre as condutas de Alexandre de Moraes na relação com Vorcaro e de André Mendonça na condução do relatório do caso Master.
Gonet agradeceu a Mendonça por ter reconhecido que as mensagens recuperadas não indicavam ilícito praticado pelo procurador-geral. Em mensagem enviada a integrantes do Ministério Público após a sessão, afirmou que encaminhou informações solicitadas pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) e que manterá a atuação da PGR técnica, equilibrada e alinhada às funções constitucionais da instituição.



