BRASÍLIA — Um contrato firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Camilla Ramos previa o pagamento de R$ 427 milhões em honorários caso o banqueiro Daniel Vorcaro obtivesse decisões favoráveis em 12 processos. O documento foi obtido pela Polícia Federal.
Camilla é mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Os dois eram associados ao apelido “turma do KN”, em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O contrato estabelecia honorários líquidos de 5% sobre o valor recebido pelo banco em caso de vitória. As ações discutiam o controle de preços feito pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). O Banco Master era credor ou cessionário dos créditos envolvidos nos processos, que poderiam render R$ 8,5 bilhões a Vorcaro.
Mensagens e pedidos
Trocas de mensagens acessadas pela Polícia Federal indicam que Newton Ramos repassava a Vorcaro pedidos atribuídos a Nunes Marques e atualizava o banqueiro sobre o andamento das ações. Entre os pedidos estava a hospedagem do ministro no hotel Fasano, em São Paulo.
Em uma conversa, uma funcionária do Master identificada como Ana Master informou a Vorcaro que havia recebido uma solicitação de “preço promocional” para a estadia. O banqueiro respondeu: “pode pegar e colocar na minha conta”.
Em mensagens de 21 de outubro de 2024, Ramos também pediu que Vorcaro verificasse “a questão da F1”, em referência ao Grande Prêmio de Fórmula 1 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Vorcaro encaminhou o contato de Ana e disse para que ela verificasse quantos ingressos seriam necessários.
Outro diálogo registra um pedido de acesso a camarote na Sapucaí durante o Carnaval. Leo Serrano, identificado como funcionário de Vorcaro, perguntou se poderia incluir 6 nomes na lista, mencionando a “turma do KN/Newton”.
Em um julgamento apontado como base para outros processos sobre precatórios de usinas de cana-de-açúcar, Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin reconheceram o débito em votos favoráveis a Vorcaro. Gilmar Mendes e André Mendonça votaram contra e foram vencidos.



