SUÉCIA — Os eleitores suecos decidem neste domingo (13) se os Democratas Suecos, partido originado em movimentos neonazistas, poderão integrar o governo do primeiro-ministro Ulf Kristersson. O pleito ocorre uma semana depois de a extrema direita alcançar na Alemanha seu melhor resultado desde a Segunda Guerra Mundial.
Kristersson prometeu admitir representantes da legenda em seu gabinete caso seja reconduzido ao cargo. O primeiro-ministro afirma que a medida é necessária para preservar a estabilidade de sua administração. Os Democratas Suecos já apoiam o governo nas votações do Riksdag, o Parlamento sueco, e mantêm há quatro anos a maior bancada do bloco conservador, liderado pelos Moderados.
A aproximação representa uma mudança em relação à posição adotada por Kristersson duas eleições atrás, quando ele prometeu a um sobrevivente do Holocausto que não trabalharia com o partido. No atual mandato, além de contar com o apoio da sigla, o governo incorporou parte de sua agenda anti-imigração.
A política migratória sueca passou a incluir ordens de deportação para diferentes grupos. No mês passado, um britânico de 74 anos com demência recebeu prazo judicial de dez dias para deixar o país, onde vivia havia 25 anos. Crianças, bebês e trabalhadores qualificados que estão há anos na Suécia também receberam ordens semelhantes. Em entrevista, Kristersson declarou que quer "fazer a Suécia grande novamente", em referência ao slogan de Donald Trump.
A oposição de centro-esquerda é liderada pela social-democrata Magdalena Andersson, ex-primeira-ministra. Seus quatro partidos teriam entre 49,3% e 50,8% dos votos, o que corresponderia a até 180 das 349 cadeiras do Riksdag. O bloco de Kristersson teria entre 47,6% e 49%, com até 174 assentos. As pesquisas indicam uma disputa mais apertada que a de 2022.
Andersson afirma que a eleição definirá qual projeto de país prevalecerá: "Uma Suécia que quer continuar a ser Suécia, onde as pessoas têm trabalho e possamos reforçar o Estado de bem-estar social" ou uma alternativa dominada por um partido de extrema direita fundado por neonazistas.
Disputa interna e segurança
Jimmie Akesson, líder dos Democratas Suecos, pediu desculpas em 2025 pelo passado da legenda e apresentou um dossiê sobre suas ligações com grupos fascistas e as posições xenófobas e antissemitas de alguns integrantes.
Na reta final, uma investigação apontou que Gustav Gellerbrant, um dos principais ideólogos do partido, teria ligações com os serviços de inteligência russos. Gellerbrant foi afastado. O caso criou constrangimento para Kristersson, que conduziu a adesão da Suécia à Otan, concluída em 2024. Ao comentar o episódio, ele declarou: "Estamos no meio de uma guerra europeia".
Mesmo se alcançar a maioria, Andersson terá dificuldades para formar uma coalizão. Partidos da esquerda se recusam a trabalhar uns com os outros, enquanto temas como a taxação de bilionários, novas usinas nucleares e o combate à criminalidade dificultam o diálogo.



