Uma ferramenta interativa reúne informações sobre o destino das emendas parlamentares individuais e permite consultar os recursos associados a deputados federais, senadores e suplentes. O levantamento considera dados desde 2023, início da atual legislatura, e abrange 513 deputados federais e 81 senadores.
A consulta mostra o valor empenhado — quantia que o governo reserva no Orçamento para realizar a despesa indicada pelo parlamentar — e o valor efetivamente pago. Também estão disponíveis as cidades, áreas e destinatários beneficiados por cada congressista, além do percentual de emendas Pix.
Os dados foram extraídos da plataforma Siga Brasil, desenvolvida pela Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle, unidade técnica do Senado, e pelo Prodasen, Secretaria de Tecnologia da Informação do Senado. O conjunto reúne movimentações realizadas até 3 de setembro de 2026.
Como funcionam as emendas
As emendas parlamentares existem como instrumento legal desde a Constituição de 1988. Elas podem ser individuais, de bancada, de comissões permanentes ou de relator. As individuais pertencem a cada senador ou deputado e têm execução obrigatória.
Esse tipo de emenda pode ocorrer por transferência com finalidade definida, quando o dinheiro é destinado a um objetivo específico, ou por transferência especial, modalidade conhecida como emenda Pix. Nesse caso, os recursos são enviados diretamente aos caixas públicos de prefeituras e governos estaduais, sem exigência de convênio ou identificação prévia do projeto a ser contemplado.
A legislação impede a liberação de emendas durante os três meses que antecedem as eleições. Entre as exceções estão, em geral, pagamentos de obras e serviços em andamento.
Até 2015, o governo não era obrigado a atender aos pedidos de todos os parlamentares. Naquele ano, a Emenda Constitucional nº 86 tornou impositiva a execução das emendas e estabeleceu que metade dos recursos deveria ser destinada à saúde.
Outras mudanças ocorreram durante a gestão de Jair Bolsonaro. A Emenda Constitucional nº 100, aprovada em 2019, incluiu a obrigação de pagamento das emendas de bancadas estaduais. Também em 2019, a Emenda Constitucional nº 105 criou as emendas Pix. Em 2022, a Emenda Constitucional nº 126 elevou o limite das emendas individuais de 1,2% para 2% da receita corrente líquida do país.
Entre 2015 e 2026, foram empenhados R$ 307 bilhões em emendas. A Lei Orçamentária de 2026 prevê R$ 61 bilhões para esse tipo de despesa: R$ 37,8 bilhões em emendas impositivas, sendo R$ 26,6 bilhões individuais e R$ 11,2 bilhões para bancadas. As emendas de comissão somam R$ 12,1 bilhões.



