FORTALEZA — Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) usou a propaganda eleitoral exibida nesta terça-feira (15) para abordar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A peça foi transmitida no mesmo dia em que a corte discutiu um relatório da Polícia Federal sobre diálogos entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Gravado em formato semelhante ao de um pronunciamento oficial da Presidência da República, o vídeo mostra Flávio dizendo que interromperia a campanha diante da “gravidade do momento” do país. Ele acusou o governo atual de criar um desequilíbrio institucional ao governar com uma parte do STF que, segundo ele, teria descumprido a lei.
Flávio citou o que chamou de “escândalo do Alexandre de Moraes” e afirmou que a divisão de poder entre o governo e o tribunal deixou o Brasil “sem presidente, sem comando”. Em seguida, disse que a insegurança e o endividamento das famílias eram problemas mais graves.
Promessas apresentadas
O candidato apresentou três propostas: classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas; reduzir juros e dívida pública; e não disputar a reeleição. A última promessa foi associada a um projeto de lei que, segundo ele, já foi apresentado.
A propaganda também mencionou acusações contra Flávio na reta final da campanha e afirmou que a população teria sido “iludida por uma picanha que nunca chegou” durante o governo atual. O vídeo terminou com um apelo religioso e a frase “Deus nos abençoe, o Brasil vai vencer”.
Flávio é investigado em caso relacionado a Vorcaro. Documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República apontam o senador como interlocutor do ex-banqueiro na negociação de recursos para o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Segundo a PF, Eduardo Bolsonaro atuaria como gestor do dinheiro levantado para a produção.
No STF, a sessão terminou sem decisão após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Moraes chamou o relatório de “farsa” e afirmou que havia “motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras” no documento. Ele também disse que o material teria recebido auxílio de um órgão externo, provavelmente estrangeiro, em uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras de 2026.
Moraes foi relator dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023 e votou pela condenação de réus envolvidos nos ataques, incluindo Jair Bolsonaro. Em Fortaleza, Flávio afirmou ainda que pretende indicar cinco ministros para a corte, com compromisso de obediência à Constituição e sem defesa de interesses pessoais.



