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Política

Josias Teófilo atribui ascensão da nova direita à internet e critica agressividade digital

Cineasta diz que memes moldaram o bolsonarismo, critica o filme sobre Jair Bolsonaro e vê hegemonia da esquerda na cultura.

Josias Teófilo atribui ascensão da nova direita à internet e critica agressividade digital
Foto: Ronny Santos/Folhapress

O cineasta conservador Josias Teófilo atribui a ascensão da nova direita à reação contra o que considera uma hegemonia da esquerda na cultura. Em entrevista ao podcast A Máquina, ele afirmou que a internet permitiu romper esse domínio, mas disse que a comunicação digital da direita se tornou agressiva e representa um risco.

Teófilo dirigiu documentários sobre Olavo de Carvalho, como “Jardim das Aflições”, e sobre a ascensão do bolsonarismo, “Nem Tudo se Desfaz”. Para ele, o bolsonarismo não poderia ter surgido antes da internet. A aproximação entre o olavismo e o bolsonarismo teria ocorrido por meio de cursos online, programas digitais e memes.

Olavo, memes e o bolsonarismo

Segundo o cineasta, Olavo de Carvalho perdeu espaço na imprensa no começo dos anos 2000 e criou, em 2008, um curso online. Para divulgá-lo, lançou o programa True Outspeak, que combinava a linguagem do jornalista policial e ex-deputado estadual paranaense Alborghetti com temas de Aristóteles.

Teófilo disse que a polêmica se tornou uma forma de atrair público e um modelo de negócios. O curso online de Filosofia chegou a ter cinco mil alunos, alguns dos quais depois participaram do governo de Jair Bolsonaro.

O cineasta citou José Mateus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz, descritos por ele como alunos de Olavo oriundos da periferia de Fortaleza. Os dois criaram a página de memes Bolsonaro Zoeiro e mais tarde trabalharam na Presidência de Bolsonaro. Teófilo rejeitou o nome “gabinete do ódio” para definir a atuação deles, embora tenha afirmado que existe uma rede de difamação.

Na avaliação dele, Carlos Bolsonaro teve papel central na construção da imagem e da comunicação do bolsonarismo. Teófilo também disse que a direita passou a incorporar rapidamente novas ferramentas, como TikTok e inteligência artificial, enquanto a esquerda seria mais conservadora na comunicação e teria dificuldade para produzir memes.

Críticas ao filme sobre Bolsonaro

Teófilo criticou o trailer de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Ele questionou a apresentação da produção como hollywoodiana e afirmou que o projeto serviria para arrecadar dinheiro para um grupo político. “Achei péssimo”, disse.

O cineasta afirmou que não faria um filme para louvar Bolsonaro. Segundo ele, uma produção desse tipo teria grande chance de fracassar. Ao comentar “Nem Tudo se Desfaz”, disse ter buscado evitar que o documentário se tornasse partidário ou apenas retórico.

Cultura e disputa política

Para Teófilo, a nova direita reúne militares, republicanos, bolsonaristas, antibolsonaristas e integrantes do MBL. O ponto comum, em sua avaliação, seria a oposição ao establishment cultural associado à esquerda. Ele citou Caetano Veloso e Gilberto Gil como símbolos dessa cultura e apontou três mitos fundadores da nova direita: uma entrevista de Bruno Tolentino, o filme “Tropa de Elite” e a obra de Olavo de Carvalho.

O cineasta avaliou como uma decepção profunda a política cultural do governo Bolsonaro. Disse que o ex-presidente teria colaborado para a permanência da hegemonia da esquerda na cultura e afirmou que Olavo morreu desgostoso com o governo.

Teófilo criou a associação Artistas Livres com o cineasta Newton Cannito. O objetivo, segundo ele, é defender a liberdade na arte e combater o que considera um viés de esquerda em comissões de editais. A associação participa de conversas sobre programas culturais de candidatos e mantém diálogo com o governo do Estado e a prefeitura de São Paulo.

Ele afirmou ter conversado com Ronaldo Caiado, Romeu Zema e a equipe de Flávio Bolsonaro sobre políticas culturais. Entre as propostas mencionadas estão a abertura de espaço para cristãos, católicos e evangélicos e o resgate de personagens históricos como Gilberto Freyre e José Geraldo Vieira.

Ao falar sobre possíveis sucessores de Olavo de Carvalho, Teófilo citou Ronald Robson, Juliano Cazarré e Breno Moreira. Para ele, parte da direita confunde cultura com marketing digital, que classificou como uma atividade efêmera.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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