SÃO PAULO — A Justiça paulista negou, em 28 de agosto, o acesso da Polícia Civil a relatórios de inteligência financeira sobre Karina Ferreira da Gama e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). O juiz Nelson Augusto Bernardes considerou subjetivo o período indicado para a pesquisa e pediu mais informações sobre as operações relevantes para o inquérito.
A decisão também determinou que a polícia apresentasse elementos concretos para justificar a inclusão da empresária na apuração financeira. Em 3 de setembro, os investigadores encaminharam informações complementares e o conjunto de provas reunidas até então.
Suspeita sobre recursos públicos
Karina preside o ICB, organização que recebeu recursos de emendas parlamentares e firmou contratos com o poder público. Ela também é sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação verifica se recursos públicos recebidos pelo instituto foram repassados à produtora. A polícia aponta suspeitas de que valores do programa WiFi Livre SP tenham sido usados para financiar atividades relacionadas ao longa-metragem. Também são investigados possíveis usos de contas de empresas subcontratadas e de outras organizações sociais administradas por Karina para ocultar a origem dos recursos.
Segundo a representação policial, Karina é a única sócia da Go Up Entertainment. A produção de “Dark Horse” foi iniciada em inglês, com elenco e direção de Hollywood, e tem custo estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões. Os investigadores afirmam que a origem dos recursos privados empregados no projeto não foi devidamente esclarecida.
Pedidos ao Coaf
Desde maio, a Polícia Civil apresentou ao menos quatro solicitações para obter os relatórios. O pedido inicial buscava um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) com o histórico das movimentações de Karina e do ICB a partir de 20 de junho de 2024.
Em junho, a polícia reforçou a solicitação. O delegado responsável afirmou à Justiça que o documento permitiria consultar o histórico detalhado das transações bancárias da empresária e do instituto. No mês seguinte, os investigadores reiteraram o pedido e defenderam que o caso permanecesse sob segredo de Justiça.
Até a apresentação das informações complementares, as solicitações ainda não haviam sido atendidas pela Justiça paulista.



