SÃO PAULO — A Prefeitura de São Paulo informou que o prédio que desabou na Penha, zona leste da capital paulista, estava irregular. A Polícia Civil prendeu neste domingo (13) Ronaldo Vivacqua, apontado como “sócio oculto” da New Home Construtora, responsável pela obra. A Justiça determinou ainda a prisão temporária do engenheiro Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável legal pela empresa, e de Isis Brandão, mulher dele e também proprietária da construtora. O casal é considerado foragido.
O desabamento ocorreu por volta das 2h de sábado (12), na rua Tequici. A estrutura caiu sobre uma residência vizinha onde vivia uma família de imigrantes bolivianos e funcionava uma oficina de costura. Seis pessoas morreram: Edelmira Titicayo Limachi, 26, Brayan Gery Gutierrez, 29, Sergio Titicayo Limachi, Maria Elena Ramirez Titicayo, Shaira Diana Chinó Ramirez, 7, e Ana Lucia Ruiz Romero, 38.
Resgate e vítimas
Os bombeiros encontraram na manhã de domingo (13) o corpo da menina de sete anos. A retirada ocorreu no início da tarde, quando as buscas foram encerradas. A operação durou mais de 24 horas e reuniu equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura de São Paulo.
Um homem e uma menina de 5 anos foram resgatados vivos, com ferimentos leves, entre contusões e escoriações. Segundo a polícia, as vítimas moravam havia nove anos no Brasil. Patrícia Veiga, advogada do Consulado da Bolívia, afirmou que o órgão tenta viabilizar o transporte dos corpos para Oruro, na Bolívia, a pedido da família.
Histórico da construção
Segundo a polícia, a construtora não cumpriu um alvará municipal que determinava a demolição do prédio para a construção de uma nova edificação. A obra começou em 2019 e foi interditada depois que a Prefeitura identificou problemas estruturais. Mesmo com diversas multas, os trabalhos não foram interrompidos, e a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação em 2021 para suspender a obra.
A empresa apresentou outro projeto em 2022. Um alvará emitido em 2023 determinava a demolição da estrutura existente. De acordo com a delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, do 24º DP (Ponte Rasa), o prédio tinha cinco andares quando o alvará foi concedido, embora tivesse nove antes do desabamento.
O advogado Adelmo Silva, que representa a New Home e os três investigados, diz que uma decisão judicial de março de 2025 autorizava a continuidade da obra. Ele afirmou que Cristiano Vivacqua e Isis Brandão vão se apresentar à polícia nos próximos dias. Silva também declarou que a construção estava parada por falta de recursos e que uma obra na rua de trás pode ter relação com o desabamento. As causas serão apuradas por perícia.
Apuração na Prefeitura
A Subprefeitura da Penha afastou por 30 dias a servidora que vistoriou a obra em 2024 e atestou que a demolição havia sido feita. O nome dela não foi divulgado. O controlador-geral do Município, Daniel Falcão, afirmou que o afastamento busca preservar a investigação interna.
Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), técnicos municipais verificaram com vizinhos e por imagens de satélite que a demolição não ocorreu.


