RIO DE JANEIRO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta quarta-feira (24), a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal relacionados ao Banco Master. Em compromissos no estado, ele também criticou políticos que, segundo suas declarações, mantêm vínculos com milicianos e mencionou a prisão de ex-governadores do Rio de Janeiro.
As falas ocorreram em duas agendas. Em Nova Iguaçu, Lula visitou obras da BR-116 em uma atividade institucional. Depois, em São Gonçalo, participou de um evento de campanha ao lado de Eduardo Paes, candidato ao governo estadual.
Na atividade eleitoral, o presidente afirmou que as apurações sobre o Banco Master devem alcançar políticos e magistrados ligados ao caso. Lula disse que a Suprema Corte não pode permanecer sob suspeita e defendeu que os envolvidos sejam investigados e responsabilizados conforme os crimes atribuídos a eles.
Em Nova Iguaçu, o presidente citou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que foi preso e é suspeito de fraude bancária bilionária. “Quem é amigo do presidente é o povo, não é o Vorcaro”, afirmou.
Lula também fez referências indiretas ao senador Flávio Bolsonaro. Em uma crítica a políticos que assumem compromissos com o crime organizado, mencionou a entrega de medalhas a pessoas acusadas de assassinato. Em São Gonçalo, resumiu a posição dizendo: “No Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano lá dentro”.
Uma investigação da Polícia Federal apontou que, em 2023, uma assessora de Flávio tratou da liberação de emendas parlamentares com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”. Ele foi condenado em fevereiro deste ano pelo STF por acusação de integrar a milícia apontada como responsável por encomendar a morte da vereadora Marielle Franco.
Quando era deputado estadual, Flávio também havia condecorado o ex-PM Adriano da Nóbrega, acusado de comandar uma milícia, atuar como assassino de aluguel e controlar a exploração de máquinas caça-níqueis na zona sul do Rio.
Menção a Pezão
Ao elogiar Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, Lula citou a prisão de seis ex-governadores do estado. A declaração ocorreu na presença de Luiz Fernando Pezão, atual prefeito de Piraí e ex-governador do Rio.
Pezão foi detido em novembro de 2018, nos dias finais de sua administração, sob suspeita de participação no grupo criminoso associado ao ex-governador Sérgio Cabral. Posteriormente, foi absolvido da acusação que havia motivado sua prisão preventiva. Ele não se manifestou durante a cerimônia.
Lula afirmou ainda que Couto vinha promovendo uma economia anual superior a R$ 1 bilhão ao impedir desvios atribuídos a quadrilhas que administravam o estado.



