O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta sexta-feira (11) o sigilo de investigações relacionadas ao filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, e a outros processos do caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A decisão tornou públicos mais 38 documentos sobre fraudes atribuídas a Vorcaro e os desdobramentos das apurações. O material envolve Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, o ex-governador do Rio Cláudio Castro, além dos senadores Jaques Wagner e Ciro Nogueira.
Na noite de quinta (10), Mendonça havia liberado 15 petições. Na ocasião, afirmou que pretendia se limitar aos documentos relacionados aos diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, assunto previsto para uma sessão do STF na próxima terça-feira (15).
A nova decisão atendeu a uma solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a abertura de todos os inquéritos do caso Master. Mendonça afirmou que os processos liberados não tinham relação com o tema da sessão de terça, mas que não havia impedimento para retirar os sigilos.
Divergência no STF
A liberação parcial dos documentos provocou críticas dentro do tribunal. Moraes acusou Mendonça de fazer um levantamento "seletivo e direcionado" e afirmou que a medida teria protegido um grupo político, sem dizer qual. O ministro também questionou a possibilidade de o relator definir quais documentos os demais ministros poderiam consultar.
Antes da nova decisão, Moraes havia dito que Mendonça deixou de apresentar 180 documentos e tornou público apenas o que considerou conveniente. Em resposta, o relator afirmou que todo o conteúdo relacionado ao julgamento de terça-feira já estava disponível.
O ministro Cristiano Zanin também pediu a Edson Fachin acesso integral ao conteúdo de um dos celulares de Vorcaro, depois de não ter sua solicitação atendida. Zanin defendeu que cada julgador deve definir os elementos necessários para formar sua convicção.
Mendonça respondeu que uma cópia de segurança dos dados extraídos do aparelho foi entregue voluntariamente pela corporação ao gabinete, mas permanece lacrada e sem uso. Segundo ele, os dados originais estão sob custódia da Polícia Federal, em um depósito da instituição.



