A discussão no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possível abertura de uma investigação contra André Mendonça pode ser adiada após Flavio Dino pedir vista em uma sessão marcada por um confronto entre ministros.
O pedido ocorreu durante a análise de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O ministro defendeu que o relatório da Polícia Federal sobre Alexandre de Moraes fosse examinado em 23 de setembro, na mesma sessão prevista para discutir a atuação de Mendonça na condução dos inquéritos do Master e do INSS.
Depois de um intervalo, o plenário passou a discutir se os casos deveriam ser analisados em conjunto ou permanecer separados. Dino havia votado pela reunião dos processos, mas mudou de posição e interrompeu o julgamento com o pedido de vista.
Prazo para retomada
Dino tem até 90 dias para devolver o processo ao julgamento. O prazo termina em dezembro, após as eleições. Até a devolução, os ministros não podem retomar a análise nem decidir se existem elementos para abrir uma investigação contra Moraes.
A interrupção também compromete a sessão de 23 de setembro, marcada para examinar a conduta de Mendonça no caso Master. Ministros alinhados a Mendonça defendem que essa discussão seja adiada.
A avaliação ganhou força depois que foi marcada para terça-feira (15) a análise de um relatório de inteligência da PF. O documento, sem valor probatório, apontou uma suposta relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e indicou possíveis irregularidades na relatoria dos casos, incluindo alegação de abuso de autoridade.
Um ministro afirmou que Fachin havia determinado que os processos ligados às duas investigações permanecessem na Presidência. Por isso, seria necessária uma definição do presidente da Corte sobre a tramitação dos casos. A avaliação é que a manutenção da sessão poderia agravar o clima de erosão no STF.



