SÃO PAULO — Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado em 2026 e declarou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28), ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição.
Na mesma manifestação, Salles afirmou que "o momento é tão grave que diferenças têm que ser deixadas de lado" e disse que a reeleição de Lula seria "uma catástrofe".
Derrite e André do Prado têm 12% das intenções de voto no último Datafolha. Eles aparecem em empate técnico com Marina Silva (Rede), que registra 15%, e Simone Tebet (PSB), com 14%. Salles tinha 4%. O levantamento foi divulgado na quinta-feira (24) e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Críticas a André do Prado
Antes de retirar sua candidatura, Salles dizia que não havia possibilidade de abandonar a disputa. Sua principal crítica a André do Prado era a de que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo não representava de fato a direita.
Salles também chamava Prado de "filhote de Valdemar [da Costa Neto]", em referência ao presidente nacional do PL, a quem tentava associar a casos de corrupção.
Em julho, Salles afirmou que havia sido aconselhado a desistir porque três nomes da direita disputavam duas cadeiras ao Senado. Na ocasião, questionou por que deveria ser ele a deixar a corrida e disse ter uma trajetória mais consolidada no campo político e estar à frente de Prado e Derrite nas pesquisas.
O então candidato também negou que Tarcísio tivesse conversado com ele sobre uma desistência. Segundo Salles, pessoas ligadas ao presidente do Novo em São Paulo, Fernando Meira, sugeriram que ele concorresse a deputado federal. Ele rejeitou a ideia e defendeu que André do Prado abandonasse a disputa.
Em maio, Salles havia declarado não existir "a menor hipótese de alguém decente apoiar o André do Prado".
Reações dos aliados
André do Prado chamou Salles de ingrato. O deputado afirmou que as críticas à sua atuação na direita estavam relacionadas ao fato de Salles não ter sido escolhido por Tarcísio e pela família Bolsonaro para disputar o Senado.
Prado disse ser de direita e conservador. Também associou essa posição à defesa de um Estado mais enxuto, de uma economia mais liberal e de parcerias público-privadas.
Derrite foi poupado das críticas de Salles. Embora tenha declarado apoio a André do Prado por integrar o grupo de Tarcísio, afirmou, em 21 de setembro, que "votaria no Ricardo Salles um milhão de vezes" se não fosse a lealdade ao grupo.

