BRASÍLIA — Três organizações que acompanham as contas públicas solicitaram nesta terça-feira (15) ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de uma investigação sobre uma lista apreendida na casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O documento reúne primeiros nomes de deputados e números que a Polícia Federal considera possivelmente relacionados a valores.
O pedido foi apresentado pela Transparência Brasil, pela Transparência Internacional e pela Associação Contas Abertas. Dino conduz o inquérito que analisa a aplicação de emendas parlamentares. As entidades querem verificar se o papel tem relação com a repartição de recursos do orçamento federal, inclusive por meio do chamado “Orçamento Secreto”.
A lista estava entre documentos encontrados pela Polícia Federal durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, na churrasqueira da residência do senador, em Brasília. O material traz o título “Câmara” e os nomes Arthur, Hugo, Elmar, Luizinho, Adolfo, Isnaldo, Diego, Altineu e Netinho, acompanhados dos números 40, 10, 10, 10, 10, 10, 5, 5 e 5, respectivamente.
A PF avaliou que Arthur pode ser Arthur Lira; Hugo, Hugo Motta; Elmar, Elmar Nascimento; Luizinho, Doutor Luizinho; Adolfo, Adolfo Viana; e Isnaldo, Isnaldo Bulhões. A corporação afirmou que os números provavelmente correspondem a valores, mas ressaltou que o significado do registro ainda precisa ser esclarecido.
Na casa do senador, uma funcionária disse ter recebido orientação de Ciro Nogueira para queimar os documentos por serem antigos. Segundo a PF, isso não ocorreu por falta de tempo da funcionária doméstica. O relato não informa quando a suposta instrução teria sido dada.
As organizações afirmam que a associação entre os nomes, os números e a distribuição de recursos públicos é plausível diante de evidências públicas sobre o papel atribuído a Ciro Nogueira como operador do Orçamento Secreto durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal, porém, não declarou haver uma relação entre o senador, os nomes e os valores registrados.
O pedido também menciona Eliana Nogueira, mãe e suplente do senador. As entidades afirmam que ela foi uma das maiores beneficiárias do Orçamento Secreto, com R$ 400 milhões em indicações no segundo semestre de 2021, período em que Ciro Nogueira comandava a Casa Civil.
Arthur Lira afirmou, por meio de sua assessoria, que desconhece as anotações e não pode responder pelo registro encontrado. Hugo Motta disse não conhecer o conteúdo ou a elaboração do papel e classificou como “um absurdo” associar seu nome a qualquer ilícito com base no documento.
Elmar Nascimento declarou repudiar completamente a menção ao próprio nome e afirmou que nunca teve relação com Ciro Nogueira que pudesse vinculá-lo ao registro. As assessorias de Ciro Nogueira, Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões foram procuradas, assim como as equipes dos demais citados, mas não houve manifestação registrada.



