SÃO PAULO — A candidatura de Edjane Lima de Sousa ao governo de São Paulo foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nesta sexta-feira (18). A decisão ocorreu depois que Professora Nayr Duarte renunciou à vice e que documentos exigidos para o registro foram considerados insuficientes. O partido Agir informou que não recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com o indeferimento, a candidatura do Agir ao Executivo paulista será cancelada. A legenda atribuiu a retirada da disputa à falta de recursos para financiar a campanha. Edjane, porém, afirma que não desistiu da candidatura.
“O que posso afirmar é que me mantive firme em minha decisão, não renunciei, eu tenho princípios e valores”, disse a policial.
Renúncia da vice e documentos
Nayr apresentou o pedido de renúncia para disputar uma vaga de deputada estadual. Antes dela, Renata Bolsonaro, que era a primeira vice da chapa, também havia deixado a composição para concorrer à Câmara dos Deputados.
A renúncia de Nayr foi homologada na segunda-feira (14). Pela legislação eleitoral, uma nova substituição só poderia ser solicitada até 20 dias antes da eleição. Como esse prazo já havia terminado, o TRE considerou inviável substituir a candidata a vice e indeferiu a chapa.
No mesmo processo, o Ministério Público Federal pediu a rejeição do registro pela ausência de dois documentos: a prova de desincompatibilização da Polícia Militar e a certidão criminal para fins eleitorais. Para o tribunal, o material apresentado não atendia às exigências.
O diretório paulista afirmou que ofereceu a Edjane a possibilidade de concorrer a deputada federal, mas que ela recusou. Segundo o partido, a policial continuou defendendo sua candidatura sem o apoio das direções estadual e nacional.
Recursos para a campanha
Informações prestadas à Justiça Eleitoral indicaram que o Agir de São Paulo não recebeu repasses para a campanha. A assessoria de Edjane afirmou que o Diretório Nacional decidiu concentrar recursos em candidaturas majoritárias no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
A campanha disse que não recebeu valores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fefec). Na pesquisa Datafolha de 11 de setembro, Edjane tinha 3% das intenções de voto. No levantamento da Quaest de 8 de setembro, aparecia com 1%.
O Agir declarou que a candidatura era financiada pelo esforço coletivo de filiados e que considerava impossível vencer a eleição. A legenda também informou que não havia tempo legal para indicar um novo nome para a vice.
Trajetória
Edjane tem 49 anos e saiu de Surubim, em Pernambuco, para São Paulo aos 2 anos, acompanhada dos pais e de sete irmãos. Ela é policial militar, mora em Poá e atua no 32º Batalhão de São Paulo, em Suzano, unidade que também responde pelo patrulhamento de Poá e Ferraz de Vasconcelos.
Em 2020, tentou ser candidata a vice-prefeita de São Paulo, mas concorreu a vereadora pelo PTB após a convenção partidária. Em 2022, disputou uma vaga de deputada federal pelo PROS. Em 2024, foi candidata a vereadora pelo PL, em Poá.
O Agir usa esse nome desde 2022. O partido foi fundado em 1985 como Partido da Juventude e adotou o nome PTC, Partido Trabalhista Cristão, entre 2000 e 2021.


