O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que CNN, Politico e MS NOW, antiga MSNBC, estão proibidos de acessar a Casa Branca. A decisão foi anunciada no Truth Social, com acusações, sem provas, de que os veículos publicam notícias falsas. Trump também deixou aberta a possibilidade de incluir outras empresas de comunicação na restrição.
A CNN classificou a medida como um ataque ilegal à liberdade de imprensa e afirmou que sua cobertura é justa e precisa, protegida pela Constituição dos EUA. O Politico disse que seus direitos também têm garantia constitucional, prometeu defendê-los e declarou que continuará cobrindo a Casa Branca e futuras administrações de forma justa.
O Politico negou ainda ter recebido subsídios do governo, depois de Trump afirmar que o veículo recebeu US$ 8 milhões durante o governo de Joe Biden. O presidente não apresentou exemplos das notícias que considera falsas nem detalhes sobre como a proibição será aplicada.
Disputa sobre acesso e Justiça
Questionado sobre a decisão, Trump disse que ela resulta do acúmulo de reportagens negativas dos últimos dois anos. Segundo o presidente, os veículos escrevem de propósito contra os republicanos e sua administração. Ele reconheceu que a medida poderá ser contestada nos tribunais.
O episódio remete a 2018, quando o governo retirou a credencial de Jim Acosta, então correspondente da CNN na Casa Branca. Um juiz federal determinou a restauração do acesso do jornalista.
Trump também criticou CNN e MSNBC em março de 2025. Na ocasião, afirmou que os canais publicavam 97,6% de notícias negativas sobre ele e os classificou como braços políticos do Partido Democrata. O republicano ainda disse que os meios de comunicação eram corruptos e ilegais.
Pressão sobre a imprensa
Desde seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, Trump costuma atacar veículos de comunicação e já chamou jornalistas de inimigos do povo e produtores de fake news. Desde o início do segundo mandato, em janeiro de 2025, também pressiona meios tradicionais, como a Associated Press, e facilita o acesso de veículos alinhados à direita, além de influenciadores e blogueiros pró-Trump.
A Associated Press foi impedida de acompanhar entrevistas no Salão Oval depois de se recusar a chamar o golfo do México de golfo da América, nome adotado por Trump nas primeiras semanas do novo mandato. A agência manteve a nomenclatura golfo do México porque o nome continua sendo usado fora dos Estados Unidos.
Os ataques à imprensa são citados pelo V-Dem, instituto ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia, como parte do contexto para a mudança da classificação dos Estados Unidos. Pela primeira vez em 50 anos, o país deixou de ser considerado uma democracia liberal e passou a ser classificado como uma democracia eleitoral. O relatório referente a 2025 foi divulgado em março e alertou para o declínio da democracia americana sob Trump.



