O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a pedir acesso integral aos dados do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em ofício enviado nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, ele defendeu que a cópia do conteúdo seja disponibilizada aos demais ministros antes do julgamento previsto para a próxima terça-feira (15).
O relator do caso, ministro André Mendonça, havia informado à presidência que o aparelho original está sob guarda da Polícia Federal. No gabinete do ministro, segundo a manifestação, há apenas uma cópia de segurança lacrada e criptografada.
Zanin contestou a justificativa e afirmou que o fato de o material ter sido entregue pela polícia em envelope lacrado não impede o compartilhamento com os integrantes do tribunal. Para ele, a preservação da cadeia de custódia deve ser aplicada ao material original, não à cópia.
“A mídia solicitada encontra-se no gabinete de Sua Excelência e deve ser compartilhada com os demais julgadores”, escreveu Zanin.
O pedido foi feito para preparar a sessão em que o STF analisará um relatório da Polícia Federal. O documento aponta 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. A Corte decidirá sobre a abertura ou não de investigação contra Moraes.
Divergência sobre o acesso
Em outro ofício, Moraes apoiou a solicitação de Zanin e afirmou que não cabe ao relator definir quais documentos estarão disponíveis para o colegiado durante o julgamento.
Zanin disse que cada ministro deve poder definir quais elementos são necessários para formar sua convicção jurídica. Também citou a prática do tribunal de permitir que todos os ministros tenham acesso ao acervo entregue ao relator antes das sessões, ainda que o relator não tenha analisado o material.
O ministro acrescentou que os advogados de Vorcaro já receberam da Polícia Federal uma cópia do espelhamento do celular. Restringir o mesmo conteúdo aos ministros, segundo Zanin, criaria uma incongruência e dificultaria o julgamento.
Como alternativa, ele pediu que, caso a cópia mantida no gabinete de Mendonça não seja encaminhada em um disco rígido próprio, a presidência do STF determine à Polícia Federal o envio dos dados diretamente aos gabinetes da Corte.
Mendonça informou que uma decisão de fevereiro de 2026 determinou que os itens apreendidos permanecessem nos depósitos da Polícia Federal para preservar a cadeia de custódia. O ministro disse ainda que o disco rígido criptografado foi enviado voluntariamente pela corporação em março de 2026, dentro de um envelope fechado, e permaneceu lacrado e sem ser aberto.



