CAMPINAS — Moradores da região do Campo Belo, em Campinas (SP), estão sendo preparados para usar tecnologia na identificação de problemas ambientais em bairros periféricos. O projeto prevê o registro de enchentes, descarte irregular de lixo, ilhas de calor e falta de arborização em uma plataforma digital.
A iniciativa é do coletivo Assaltar as Nuvens e pretende transformar informações produzidas pelos próprios moradores em uma ferramenta de enfrentamento ao racismo ambiental e de cobrança por melhorias junto ao poder público. A formação dos jovens será baseada em tecnologias de código aberto e na produção cidadã de dados.
O projeto recebeu financiamento e apoio técnico por meio de um edital ligado à pesquisa Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas (Jucamp). A seleção foi organizada pelas entidades Em Movimento e Minha Campinas, com apoio da Fundação FEAC, para apoiar ações lideradas por jovens em territórios periféricos.
Como o mapeamento será feito
Após o treinamento, os participantes deverão localizar e documentar ocorrências ambientais nos bairros onde vivem. Os registros serão reunidos em um mapa capaz de indicar a concentração dos problemas e contribuir para um diagnóstico ambiental das periferias de Campinas.
Entre os pontos previstos no monitoramento estão áreas sujeitas a enchentes, locais de descarte irregular de resíduos, regiões com pouca arborização, espaços expostos a temperaturas mais altas e dificuldades relacionadas à mobilidade urbana.
João Augusto de Souza Paranhos, de 22 anos, é um dos coordenadores da iniciativa. Para ele, a tecnologia pode ser apropriada pelos moradores para compreender as condições do próprio território e apoiar a busca por soluções. A proposta também busca identificar situações que não aparecem com precisão em levantamentos oficiais e fortalecer a participação da comunidade em reivindicações e políticas públicas.
Mudanças climáticas e juventude
A pesquisa que fundamentou o edital mostrou que 58% dos entrevistados disseram que a crise climática afeta suas expectativas para o futuro. Sete em cada dez relataram impactos na saúde mental.
O levantamento também apontou que 77% dos jovens concordam totalmente que a população vive uma crise climática. Seis em cada dez afirmaram perceber efeitos nos estudos ou no trabalho, e 34% relataram dificuldades para se deslocar em dias de chuva.
Os resultados indicaram ainda interesse dos participantes por ações práticas nos territórios onde vivem, incluindo monitoramento ambiental, iniciativas comunitárias e projetos de transformação local.



